Fallout New Vegas – Mais do mesmo?

Confesso que Fallout: New Vegas foi o 2º jogo mais hypado pra mim em 2010 (atrás somente de Final Fantasy XIII, por razões históricas). Contava os meses para que ele saísse. Ficava chateado quando saía uma nota de adiamento. Imaginava o que viria na Collector’s Edition.

Enfim, notícias foram aparecendo. As primeiras fotos mostravam que os gráficos estavam apenas sensivelmente melhores que os de Fallout 3 – um jogo de 2008 que não tinha gráficos absurdamente incríveis mesmo pra sua época, (se comparado com games como Mass Effect e Assassins Creed que são de 2007). A engine Gamebryo também seria mantida, o que na minha opinião era algo parcialmente ruim. Joguei o Fallout 3 em 2009 no XBOX 360, já com os patches de correção aplicados. Assim, não me lembro de bugs além de uma ou outra travadinha, normal para um game que joguei por mais de 100 horas (sim, Fallout 3 foi um game que me consumiu a vida). Mas não é incomum encontrar relatos revoltados na Internet falando do quão frustrante eram alguns bugs, que chegavam a impedir que certas missões fossem cumpridas.

Eu comecei a ficar com medo, mas meu  hype ainda estava lá no alto.

Enfim, em outubro de 2010 a Bethesda lançou o jogo desenvolvido pela Obsidian. Dei uma sorte tremenda de um amigo estar nos Estados Unidos para me trazer a edição de colecionador, inclusive com uma etiquetinha de “Proibida a venda antes de 19 de outubro de 2010”. E mais: ele comprou na Gamestop, o que me rendeu itens exclusivos in-game (a saber, uma roupa, uma arma e um cantil ).

Acho que vale a pena registrar minha leve frustração com a edição de colecionador. Enquanto Fallout 3 vinha em uma lancheira metálica contendo um bobblehead do simpático Vault-Boy e um livro com a arte conceitual (além de um Blu Ray com o Making Of, também presente neste jogo), New Vegas acompanha um baralho com imagens dos personagens, 7 fichas de poker imitando as fichas usadas nos cassinos do jogo, uma ficha de platina do casino Lucky 68 (um dos mais importantes itens do jogo) e uma história em quadrinhos (mal desenhada, na minha opinião) em capa dura contando o prólogo do game. Não, não estou vendendo meu box, se é isso que você está pensando!

Game em mãos, vamos jogar!

Ambientação

Nisso não dá pra errar: Fallout sempre teve uma das melhores ambientações do mundo dos games. O mundo de Fallout trata de um futuro alternativo onde a energia nuclear avançou mais que a eletrônica, gerando um clima bem steampunk embora futurista, encontra-se televisões de tubo, computadores com monitor de fósforo verde, carros voadores que mantém o design dos antigos “rabos-de-peixe”. Neste mundo, uma grande guerra nuclear ocorreu no ano de 2077 entre Estados Unidos e China, destruindo completamente o planeta.

Fallout: New Vegas se passa em 2281 ( quatro anos após os eventos ocorridos em Fallout 3, ainda que o jogo não seja uma sequencia deste) na região do deserto Mojave, nas imediações do que hoje é Las Vegas. Seu personagem é um courrier que foi incumbido de transportar uma mercadoria muito valiosa para um dos “poderosos” do universo de Fallout: New Vegas, mas que não completa sua missão por ser sabotado por Benny (que é dublado por ninguém menos que Matthew Perry, o Chandler de Friends). O courrier é deixado para morrer no deserto, mas é salvo por um robô chamado Victor. A partir daí, a missão do jogador é investigar o que ocorreu, localizando o seu algoz e entendendo por quê a encomenda era tão importante.

No caminho, o jogador irá encontrar diversas facções, como a NCR (New California Republic, recorrente do Fallout 2) – um grupo militar que, embora esteja desorganizado, busca colocar ordem em Mojave (à sua maneira); a Legião de Caesar – um grupo de escravizadores impiedosos liderados pelo fanático Caesar; gangues tribais como os Great Khans e os Fiends; a Brotherhood of Steel ,um grupo de paladinos em busca do que sobrou da tecnologia do passado; dentre várias outras facções. E está na mão do jogador saber como ele vai agir – ajudando a NCR, ajudando o Caesar ou simplesmente fazendo as coisas por si só.

Outra coisa que vale a pena destacar no universo de Fallout é o humor negro/ácido da série. Situações inusitadas como ghouls (seres humanos que ficaram expostos demais à radiação, e agora parecem zumbis) querendo ir para o espaço ou uma garotinha que virou uma Super-Mutant e está atrás de seu robozinho de estimação, muitas vezes aliviam o clima de desgraça que acomete todo o povo que vive nesse futuro pós-apocalíptico tendo que revirar comida no lixo e tirar sua subsistência do meio dos escombros.

Gameplay

Fallout New Vegas joga bem parecido com o seu antecessor, Fallout 3. O jogo é um RPG de mundo aberto, com elementos de shooter FPS . O jogador pode optar por tratar o jogo como um jogo de tiro ou utilizar o V.A.T.S. (Vault-Tec Assisted Targeting System), onde é possível mirar em pontos específicos dos inimigos enquanto o combate é pausado.

Os menus e status do jogador são acionados através do seu Pip-boy 3000, um dispositivo acoplado ao braço que indica os níveis de radiação, a energia do jogador, seus ítens e seus objetivos, além de contar com mapas, rádio e uma útil lanterna.

O jogador tem um número imenso de lugares no mapa para visitar, cada um com características próprias – inimigos, visual, etc.

Como em outros jogos da série, conforme o personagem vai avançando de nível, vai ganhando pontos para gastar em habilidades como ciência, medicina, proficiência em armas, bater carteiras, dentre outras. Além disso, existem as perks, que dão habilidades diferentes, como visão noturna ou maior afinidade com o sexo oposto (garantindo mais opções para resolver certos problemas no jogo). Falando nisso, a possibilidade de resolver um mesmo problema de diversas maneiras em Fallout: New Vegas é algo incrível. Certas situações podem ser resolvidas com três ou quatro estratégias diferentes, desde simplesmente ignorar, passando por uma atitude mais diplomática, até mesmo resolver tudo na bala.

Em Fallout: New Vegas você pode contar com a ajuda de alguns companheiros, cada um com personalidade própria e um background diferente. Em relação ao Fallout 3, o sistema de companheiros está bem mais rico, sendo possível definir a estratégia de como eles vão se portar em combate de uma forma bem fácil e intuitiva.

Tudo isso faria de Fallout: New Vegas um jogo excelente, não fosse um pequeno problema: o jogo foi lançado às pressas repleto de bugs. Estou jogando a versão de PS3 e é praticamente impossível jogá-lo por mais de uma hora sem que o videogame trave. Ouvi falar que a versão de XBOX 360 é um pouco mais estável, mas essa informação também é um pouco controversa. Além dos travamentos “comuns”, há situações que travam a resolução de quests, como itens que ficam presos abaixo do solo e NPCs que não reagem da forma como deveriam (às vezes os NPCs ficam falando uma mesma frase indefinidamente, quando você sabe que ele deveria estar falando alguma outra coisa).

Apresentação

Como eu mencionei anteriormente, Fallout: New Vegas pouco evolui em relação ao 3. Na verdade, é nítida a impressão de que boa parte dos modelos do Fallout 3 foram reaproveitados, reforçando ainda mais a pergunta “como diabos eles conseguiram lançar um jogo com tantos bugs onde tão pouco de novo foi feito”.

Os gráficos de New Vegas, apesar de competentes na maior parte do tempo, sofrem com os bugs do jogo. Não é incomum algumas texturas não carregarem perfeitamente quando você chega perto delas (mantendo aquele aspecto de borrão que não foi carregado direito). Outro problema que ocorre é quando você está em situações em que há um número muito grande de personagem na tela – os frames por segundo caem drasticamente, tornando a experiência de jogo horrível nesses momentos.

A trilha sonora é muito bem feita, reunindo músicas clássicas dos anos 1940, mesclando bem com o visual retrô de boa parte das localizações. Minha única crítica à trilha sonora é que o jogo possui poucas músicas (não creio que chegue a 30 músicas “de rádio”), o que fica bem evidente em um jogo de mais de 40 horas. Também estão presentes músicas instrumentais “ambiente” dão o clima para os momentos mais tensos do jogo, com uma pegada que mistura os filmes Western com terror/suspense.

Considerações Finais

Fallout: New Vegas não é um game nota 10 – o reaproveitamento dos gráficos de Fallout 3 e a evolução muito sutil em dois anos tira a nota máxima dele. Também não é um game nota 8 – os bugs frustrantes, a continua necessidade de se reiniciar o videogame em certos momentos também tiram isso dele.

Por outro lado, não posso dar uma nota menor que 6 para esse jogo, já que ele consegue ser um jogo que consegue prender por mais de 60 horas – o trabalho de dublagem, o enredo, a trama, as possibilidades diferentes de se resolver determinados problemas,a ambientação, tudo isso conta pontos para Fallout: New Vegas. O mundo de New Vegas é bem rico e tenho certeza que deixei de falar de uns 10 ou 20 momentos sensacionais desse jogo por aqui.

Sendo assim, seria justo dar uma nota 7 para Fallout: New Vegas. É possível se divertir muito jogando, se você não se irritar ao ponto de tacar o controle do videogame na tela da sua TV.

Fallout: New Vegas foi jogado até praticamente o final (estou fazendo as últimas missões para um dos finais)  no Playstation 3. O jogo também está disponível para PC e XBOX 360, sendo que para o 360 há a expansão Dead Money, uma missão completamente nova com Achievements exclusivos.


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11 comentários sobre “Fallout New Vegas – Mais do mesmo?

  1. Quem quiser comprar esse jogo: ESPERE.
    Como foi dito no post, existem muitos e muitos bugs… Muita gente reclama nos forums oficiais e as patchs estão saindo, aos poucos… Algum dia esse jogo com certeza vai ser jogável, mas por enquanto a sua experiência pode ser bastante frustrante!

    1. Confesso que já faz um tempo que espero um patch pra parar esses travamentos.
      O último patch corrigiu muita coisa, principalmente os problemas com companions que evaporavam, mas os travamentos são insuportáveis.
      Percebi que quando jogo com o ventilador em cima do PS3 ele fica mais tempo “de pé”… mas não é muito cômodo

  2. Eu joguei muito pouco do Fallout 3 (não pq o jogo não seja foda, mas sim pq eu sou preguiçosa pra caralho) e fiquei bem impressionada com as “chamadas” de New Vegas.

    Já vi uns vídeos bizarros de bugs (tipo o cara q fica com a cabela girando e depois sai flutuando atras de vc q nem um fantasma) mas ainda assim tenho interesse nesse jogo. Mas claro, só depois de finalizar o Fallout 3 (que vai demoraaaaaar).

    Provavelmente até lá já terá uma versão de colecionador com todos os patches inclusos…hehehehe

    1. Acho que aqueles bugs mais bizarros meio que foram corrigidos…
      Mas confesso que já vi uma árvorezinha caindo do céu e atravessando o chão.

      E sim, vale a pena você esperar uma cara pra pegar ele, com certeza sai uma versão Game of the Year (ainda que ele não tenha ganhado nenhum GotY expressivo) com todas expansões numa caixa só.

  3. Ótimo review, de um dos melhores exemplares de role-play ever. Ignorando os bugs (que no PC foram devidamente corrigidas pela comunidade antes da Bethesda – eu jogo nele :D) é um Fallout mais denso, com mais role-play, do que o terceiro. A presença da Obsidian aparece nas quests, nas dungeons menores (quase não tem aquelas longas batalhas dentro dos metrôs contra ghouls e mais ghouls (que eram ótimas, mas a mudança no NV foi bem-vinda pra mudar o ritmo). É aquele negócio: de longe, NV é mais do mesmo. Mas, quando você joga ele todo, descobre que ele traz melhorias que o deixaram com gosto de “novo”.

    No lado técnico, graficamente a engine datada da Bethesda ainda é responsável pelo visual mais rico e interessante quando se fala em wasteland, ponto. Pouca gente dá atenção à trilha de Fallout 3, do genial Inon Zur – eu sou fã de carteirinha das músicas dele desde Crysis – tanto que mal ligava o rádio tanto no 3 quando em NV. São melancólicas ao extremo, com uma beleza minimalista que deve ser apreciada num ambiente de jogo silencioso. Ela define o ritmo gostoso e aventureiro de Fallout nessa nova geração.

    Curiosidade: o pior review de New Vegas que já li foi o da revista EGW. Olha a headline: “Fallout New Vegas: o jogo de ação que os fãs esperavam” ou algo assim, que ressaltava a ação, acho que “RPG” nem aparece nos textos. Um review podre – e olha que não curto muito esse lance hater, não costume disseminar esse tipo de info – que quase me faz deixar de colecionar a revista.

    Ah, um dos melhores foi o seu (sem rasgação!) review, parabéns!

    1. Valeu os elogios Eric! 🙂

      Estou jogando no PS3 porque atualmente só estou com um notebook “de supermercado” – aqueles bem Xing Ling, sem aceleradora de video. O máximo que consegui rodar lá foi o Super Meat Boy (que aliás devo fazer um review muito em breve).

      Os cenários de Fallout são realmente muito animais. Eu particularmente curti um pouco mais o 3, por ter um tom mais sombrio. Fora que tem aquelas cabines individuais de proteção contra ataque nuclear (que funcionam a ficha) que eu rachava o bico toda vez que abria e via cair um esqueleto de dentro. Mas o fato de Vegas não ter sido tão atingida diretamente pelas bombas foi bem explorado na criação dos cenários novos e a vegetação é um diferencial interessante, já que F3 tinha um visual praticamente igual em todo o mapa.

      As músicas de Fallout são realmente ótimas. Não são aqueles teminhas que você consegue ficar cantarolando, diria que é até difícil lembrar de como elas são depois de algum tempo sem jogar. Mas quando você está jogando, elas mesclam tão bem com o clima do jogo que é impossível pensar em Fallout sem essas músicas.

      E que coisa escrota esse review da EGW heim? O cara deve ter visto meia dúzia de screenshot e mandou ver escrevendo qualquer coisa.

      1. Rapaz, os esqueletos ao abrir as cabines davam um sustinho gostoso mesmo ehehehe. Sempre rolava uma muniçãozinha legal se a gente desse uma mexidinha no sr. caveira ali hein? 😀

        Tranquilo, o core gameplay é o mesmo que é o que importa (me referindo às vesões PS3/PC do Fallout). Tipo, Bayonetta, joguei no PS3 e tem gente que vomita por aí que é “injogável no PS3”. Como tenho o X360 baixei o demo nele pra comparar trocando de HDMI, “realtime”; Coisa boba, tem tearing e uns framedrops realmente no PS3, mas nada demais que sequer sonha em atrapalhar o gameplay.

        Ah, eu ouço a trilha de F3 no carro com uma certa frequência (as músicas principais, não as músicas de batalhas :p)

        Abração, traga mais reviews legais logo!

    1. Olha, ele tem um jogo de cartas chamado Caravan, talvez até role… Confesso que não tive paciência pra jogar Caravan, mas rapelei um cassino no Black Jack.

      Se quiser Poker, vai no Red Dead Redemption, o de lá é bem bacana!

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