Mafia II – Revivendo os clássicos filmes de Gangsters

Mafia 2

Confesso que um dos gêneros que sempre me fascinou é o de filmes de Mafia e crime organizado. “Os Bons Companheiros” (The Goodfellas, 1990), “Cassino” (Casino, 1995), de Martin Scorcese e a clássica trilogia de Francis Ford Coppola,O Poderoso Chefão” (The Godfather, 1972 a 1990) são filmes que me cativam principalmente por trazer o dia-a-dia da vida destes criminosos – família, amizades, traição, “ética profissional” – sem necessariamente se preocupar tanto com a ação.

Mafia II (2010, 2k Games) é um game que trata exatamente deste mundo, um assunto que, na minha humilde opinião, foi relativamente mal explorado nos jogos da série “The Godfather” (1 para PS2, PS3, XBOX 360, Wii e PC e 2 para XBOX360, PS3 e PC).  Diferentemente do que se possa imaginar, Mafia II não é sequencia direta de Mafia: The City of Lost Heaven, apenas toma emprestadas algumas mecânicas e a temática. Ou seja, não ter jogado o primeiro game da série não afeta em nada jogar a sua sequencia.

Ambientação

Vito Scaletta e sua Tommy Gun em um tiroteio

Mafia II se passa entre os anos 1940 e 1950 na fictícia Empire Bay, inspirada em cidades americanas como Nova York, Los Angeles e San Fracisco. O jogador assume o papel de Vito Scaletta, um imigrante italiano da Sicilia que chegou com a família ainda menino aos Estados Unidos em busca do sonho americano.

Por influência de seu melhor amigo Joe Barbaro, começa a cometer pequenos crimes para conseguir dinheiro fácil. Durante um roubo Vito acaba sendo preso, mas recebe a oportunidade de se livrar da cadeia servindo ao exército americano na Segunda Guerra Mundial numa incursão à Itália (inclusive a missão da qual ele participa serve de tutorial para o game).

Nessa missão acaba se ferindo e é mandado de volta aos EUA para se recuperar. Chegando lá, percebe que seu amigo Joe está muito bem de vida, graças aos contatos que fez com “gente importante” (a.k.a. Mafiosos). Joe oferece a Vito a possibilidade de fazer parte disso tudo, e assim começa a vida de Vito Scaletta na Máfia.

Em Mafia II o jogador assume o papel daquele cara que faz o trabalho sujo dos gangsters. Desta forma, o jogador é posto em situações não tão glamurosas, como se enfiar em esgotos e frigoríficos, enterrar corpos, levar amigos baleados ao médico, dentre outras.

O mundo de Mafia II, se não é tão rico quanto o de outros sandboxes como GTA e Red Dead Redemption (ambos da Rockstar), é bastante coeso e oferece uma ótima experiência ao que se propõe. Além disso, como o jogo se passa durante épocas distintas, o jogador pode passar por experiências diferentes na mesma cidade, como as ruas escorregadias durante o inverno e a evolução dos carros e da música ao longo dos anos (lembrando que o jogo se passa entre mais ou menos o fim da Segunda Guerra em 1944 e o começo dos anos 50).

E a trama, que eu considero o ponto alto do jogo, remete muito às situações vividas pelos protagonistas dos clássicos filmes de Máfia de Scorcese e Coppola, o que acaba sendo um atrativo maior aos fãs do estilo.

Gameplay

Mafia II é um sandbox que inova muito pouco (praticamente nada, sendo bem sincero) quando comparado aos clássicos do gênero da Rockstar. No entanto o seu tamanho reduzido e missões mais diretas (o jogador não precisa ficar procurando o que fazer) pode fazer dele um jogo mais atraente para aqueles que não tem paciência para ficar horas dirigindo um carro (ou cavalo) num game de mundo aberto.

O jogador tem aquela visão de terceira pessoa com a câmera nas costas do personagem, deve usar sempre de muretas e colunas para se esconder dos tiros (o já clássico sistema de “cover”) e ocasionalmente participa de perseguições com a polícia usando carros. Ou seja, GTA IV, puro e simples.

Falando em polícia, esta se mostra um pouco mais preocupada com as ações do jogador que em outros jogos do estilo, perseguindo-o até por excesso de velocidade e estando presente em bem maior número. O jogador pode ser procurado por sua própria aparência (nesses casos deve-se trocar de roupa) ou pela placa do carro (trocar de carro ou alterar a placa do carro em oficinas no jogo resolvem o problema). Por sorte, a inteligência artificial que lhes foi dada é bem limitada (pra não dizer burra), sendo muito fácil despistar a polícia na maior parte dos casos.

Logicamente as armas são as da época (sorry, no bazooka for you!), onde o jogador deve fazer uso de Tommy Guns e revolveres antigos para passar por cima dos inimigos. Em alguns casos o jogador precisa resolver os assuntos “na mão”, com um sistema de luta simples, mas eficiente. Os carros também estão bem representados em matéria de jogabilidade, já que não têm aquela direção suave dos carros de hoje em dia, e também por apresentarem dirigibilidade diferenciada mesmo entre si.

Por fim, também herdado do estilo GTA de ser, há os famigerados “itens colecionáveis” escondidos na cidade, como posters de criminosos e o mais divertido de todos, revistas Playboy da época (que permitem ao jogador visualizar uma foto por revista conquistada).

Apresentação

Vito Scaletta observa a paisagem

Ponto altíssimo de Mafia II, a apresentação deste game faz com que ele se destaque em relação a tantos outros sandboxes.

Os gráficos de Mafia II são, na minha opinião, bem superiores aos vistos tipicamente nos games da Rockstar. Os detalhes da cidade, a neve sobre os carros (que cai quando você começa a andar), as marcas no rosto dos personagens e a paleta de cores diferenciada para cada época do jogo mostra o cuidado que a 2k teve ao fazer este talvez subestimado game.

O som também merece destaque, com músicas de grandes artistas da época como Dean MartinBill Haley & His CometsJohn Lee HookerMuddy Waters, para citar alguns. O número de canções pode não ser imenso, mas como o jogo em si não é lá muito longo, isso não chega a incomodar. Além do mais, quando se passa dos anos 40 para os anos 50, as músicas mudam, encorajando o jogador a mexer no dial do rádio virtual dos carros.

Considerações Finais

Mafia II é um sandbox bastante indicado para quem não tem muita paciência com sandboxes em geral. Sua mecânica mais direta, mais voltada para a história do jogo (sem side-quests, missões optativas e minigames) faz com que o jogador concentre-se mais na trama do game, que agradará bastante aos fãs de filmes de mafiosos.

Os personagens são cativantes e possuem personalidade mais marcante do que na maioria dos games neste estilo. A música é sensacional e os gráficos bem polidos.

O game não é muito longo, aproximadamente umas 14 horas de gameplay, mas no fim das contas isso acaba sendo bom, pois se fosse muito maior fatalmente se tornaria bem chato e repetitivo.

Links

Mafia II é um game da 2k Games, disponível para PS3, XBOX 360 e PC. As imagens exibidas aqui foram extraídas do site da produtora e muito provavelmente pertencem à versão de PC. A versão jogada por mim foi a de PS3.
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Halo: Reach – O prequel da saga épica

Multiplayer em Halo: Reach

Confesso que falar de Halo: Reach (da Bungie, distribuido pela Microsoft Game Studios, 2010) sem ser leviano vai ser uma tarefa complicada pra mim, uma vez que nunca havia jogado nenhum jogo da série antes dele. Mas tenho me divertido tanto com esse game nas últimas semanas que achei interessante expor as minhas impressões para indicar este clássico instantâneo do XBOX 360.

Para quem não conhece, Halo é uma série de games FPS (First Person Shooter, tiro em primeira pessoa) de ficção científica centrada no conflito entre humanos e os Covenant (“o Pacto”), um grupo de alienígenas de diferentes espécies unidos por uma crença comum: louvar aos Forerunners (algo como “os Precursores”, embora haja um outro grupo no universo de Halo com o nome de Precursors). Os Covenant tinham por objetivo localizar relíquias de seus deuses e, em uma revelação por uma antiga Inteligência Artificial Forerunner a políticos Covenant, é descoberto que as relíquias dos Forerunners eram na verdade a própria raça humana, que seriam os seus descendentes. Com medo de perder seus poderes político-religiosos, os líderes Covenant declaram guerra contra os humanos, acusando esses de serem uma afronta aos seus Deuses.

Os principais motivos para o sucesso do game original (Halo: Combat Evolved de 2001 para XBOX, Windows e Mac) foram a sua jogabilidade fluida em joysticks e um multiplayer decente (ainda que offline) – algo praticamente inexistente até então, em se falando de consoles de video game. A excelente receptividade de Halo: Combat Evolved fez com que a Microsoft investisse ainda mais na franquia, com desdobramento da série em uma trilogia (Halo 2, para XBOX e 3, para XBOX 360), além dos spin-offs Halo 3: ODST e o jogo de estratégia Halo Wars. Em suma, não é exagero falar que um dos maiores motivos de existir um XBOX 360 hoje é a própria franquia Halo.

Isto posto, falemos um pouco de Reach.

Ambientação

Halo: Reach se passa antes dos eventos da trilogia original, de maneira que personagens familiares para os jogadores antigos da série (como o protagonista Master Chief e a inteligência artificial Cortana) não estarão presentes.

A história conta o esforço do grupo de Spartans conhecido como Noble Team em defender Reach, uma das últimas colônias de seres humanos existentes, e descobrir os reais interesses dos Covenant naquele setor. O jogador assume o papel de Noble Six, um talentoso Spartan que acaba de entrar neste time.

Durante todo o tempo se nota uma sensação de urgência, principalmente pela percepção do Noble Team em relação ao poder de fogo dos Covenant, muito maior que o das forças humanas neste planeta. Esta urgência faz com que a trama se torne mais e mais envolvente, prendendo o jogador até o último minuto.

Os cenários de Reach são bastante variados, passando desde campos verdejantes até cidades claustrofóbicas. É possível notar em algumas fases a grandiosidade da guerra, com inúmeras naves atacando incessantemente e diversas estruturas militares bem castigadas pelos ataques de ambos os lados.

Gameplay

Halo: Reach - Gameplay

Halo: Reach é o tipo de FPS que eu gosto: aquele que não é “sobre trilhos“, como é o caso dos populares Call of Duty e Battlefield. Isso significa que o jogador tem mais liberdade para andar no mapa e no campo de batalha mesmo durante o modo campanha. Os cenários são relativamente grandes e espaçosos em sua maioria, o que permite ao jogador criar estratégias para flanquear os inimigos.

O jogador carrega sempre duas armas por vez consigo, podendo ser armas humanas ou dos Covenant. Esse ponto vale a pena mencionar, pois se em jogos de guerra mais realistas há pouca variação nos efeitos de dez ou 20 rifles diferentes, em Reach, por ser um jogo mais fantasioso, têm se resultados bem diversificados ao se utilizar os diferentes tipos de armas. Isso varia desde armas que soltam cristais que “perseguem” os inimigos (Needler) às tradicionais escopetas (Shotgun), passando por lança-granadas, rifles de assalto, canhões de plasma dentre outras. E essas armas têm nitidamente efeitos bem diferentes para a jogabilidade.

Além das duas armas, itens especiais dão poderes adicionais ao Spartan, que ajudam bastante na elaboração de estratégias de combate. Dentre estes poderes, pode-se citar super-velocidade, vôo, escudo de energia, camuflagem e projeção de um holograma para enganar os inimigos.

Outro ponto que vale muito a pena ser citado é a inteligência artificial dos inimigos. Diferente de grande parte dos jogos de tiro, em Reach – e pelo que ouvi falar, em outros jogos da série Halo – a inteligência artificial é algo muito claro e perceptível. Os inimigos não ficam esperando o jogador tomar alguma atitude para atacar de volta: eles vão pra cima e, mais que isso, eles cercam, jogam granadas e combinam esforços para fazer da vida do pobre Noble Six um inferno. Isso torna jogar Halo: Reach uma experiência muito prazerosa, aumentando ainda mais o fator replay.

Algumas variações na jogabilidade são bem interessantes também, como a fase New Alexandria, onde o jogador deve pilotar um Falcon (uma espécie de helicóptero/avião de pequeno porte) e as fases onde há veículos terrestres para serem utilizados – o jogador pode inclusive abrir mão de dirigir e ficar em uma torreta cuidando apenas de eliminar os inimigos.

Multiplayer

Eu confesso que nunca fui muito um jogador de Multiplayer, principalmente em se tratando de FPS, onde geralmente você é jogado numa sala cheia de coreanos de 12 anos de idade que não fazem nada na vida além de praticar Headshots em velhinhos como eu. Mas o multiplay de Halo: Reach é tão balanceado que depois de muito pouco tempo eu comecei a conseguir me virar bem naquele ambiente hostil.

Diferente do Multiplay de games como Battlefield, onde os cenários são enormes e é muito fácil morrer no meio do caminho tomando um tiro de sniper (fazendo muitas vezes que você volte do começo da tela e percorra todo aquele caminho novamente), Reach conta com cenários menores e mais diretos, permitindo jogos rápidos e divertidos.

Além dos modos clássicos “competitivos” de multiplaying, Reach conta com modos cooperativos, onde o jogador e seus companheiros devem enfrentar hordas de inimigos, compartilhando um número limitado de vidas. É possível também jogar a campanha de Halo em co-op, o que pode tornar o replay do jogo ainda mais divertido.

Vale lembrar que o Multiplayer de Halo pode ser jogado desde online, passando pelo clássico “tela-dividida” (com seus amigos em casa) e até mesmo com uma LAN de XBOX 360, onde cada XBOX pode inclusive comportar sua pequena equipe de jogadores.

Apresentação


Se por um lado eu confesso que não acho que Halo: Reach tenha a qualidade gráfica de outros shooters desta geração (como os excelentes gráficos de Battlefield: Bad Company 2 ou de Killzone 3), por outro lado eles estão muito longe de serem considerados ruins. Pelo contrário, os gráficos de Reach são muito bons, no entanto tem-se a sensação de que o potencial total do XBOX 360 não é utilizado no game.

A trilha sonora, criada por Martin O’Donnell (de Myth) e Michael Salvatori, é bem cinematográfica, ajudando muito a ambientar o jogador no clima da guerra em que a história se passa. Muitas vezes ela traz um tom mais tribal e sombrio, remetendo a ambientação a um clima mais épico.

Joguei Halo: Reach americano, então as dublagens foram as originais em inglês. Gostei muito da interpretação dos dubladores, que se faz bastante necessária, uma vez que em 90% do tempo todos os personagens estão com capacetes, privando de passar qualquer emoção por expressões faciais. Alguns amigos meus jogaram Reach com a dublagem em português brasileiro e elogiaram igualmente o trabalho feito com as vozes do jogo.

Considerações Finais

Halo: Reach é um jogo obrigatório para quem tem XBOX 360 e gosta de FPS. Eu confesso que na primeira vez que joguei não vi nada de mais. Mas Reach é um game que te cativa nos pequenos detalhes, imperceptíveis em uma única jogada, como a necessidade constante de mudar de estratégia para enfrentar os inimigos e a inteligência artificial que o game tem.

A campanha é sensacional, com um final épico que merece ser jogado até o fim. Os personagens são cativantes, ainda que pareçam muito com aqueles estereótipos clássicos de filmes de segunda guerra mundial.

Os multiplayers – cooperativos e competitivos, locais e online – são todos divertidíssimos de jogar, o que garante um gameplay ainda mais extenso. A comunidade de Halo: Reach é bem grande e não é incomum encontrar grupos de brasileiros de todos os cantos do país para se jogar online.

Jogue! E se for jogar me adicione: jluiz81 😉

Links

Halo: Reach é um FPS exclusivo para o XBOX 360. Fotos extraídas do próprio site Oficial do game.