Streets of Rage – Briga de Rua

Algumas semanas atrás recebi o meu Sonic’s Ultimate Genesis Collection, uma coletânea com alguns dos principais clássicos do Genesis (ou Mega Drive, se você não estiver nos EUA) elaborados pela própria Sega. Dentre os clássicos, é possível destacar a coleção do Sonic (1,2,3, Spinball, 3d Blast e Knuckes), a coleção do Phantasy Star (do 1 ao 4) e a coletânea dos Streets of Rage (1,2 e 3).

Confesso que quando botei a mão no DVD saudosista, antes mesmo de ver quais os jogos estavam presentes ou quais eram os extras, a primeira reação foi procurar o Streets of Rage 1. E é incrível como esse jogo, mesmo 20 anos depois, continua tão gostoso de jogar.

Ambientação

Sreets of Rage é um jogo antigo, de uma época onde não precisávamos de muito motivo pra querer sair socando todo mundo. Em todo caso, a história do game conta a trajetória de três ex-policiais que abandonam a corporação e saem pra acabar com o crime nas ruas “na porrada”, desafiando a gangue do malvado Mr. X (clichê o suficiente?).

Gameplay


Streets of Rage ou Bare Knuckle, seu nome no japão, é um clássico Beat ‘em Up lançado em 1991 nos moldes de Final Fight, Double Dragon e tantos outros. Aliás, eu tenho pra mim que ele é uma cópia bem descarada do Final Fight, lançado em 1989, com alguns elementos de jogo (número de personagens, mecânica do jogo, armas que aparecem no chão, itens de cura) e design de personagens bem parecidos.

Porém, alguns elementos colocam, na minha opinião, o jogo da Sega à frente, principalmente no quesito “momento WTF!?!”. É praticamente impossível para um jogador iniciante no Streets of Rage não ter começado a sua experiência apertando o botão A do controle como seu primeiro “movimento”. Em praticamente qualquer jogo, o botão A daria um golpe normal… um pulo… talvez até um golpe especial, daqueles que sugam parte da energia do personagem. Mas não em Streets of Rage! Nesse jogo, o botão A aciona um “Striker” da maneira mais bizarra possível: um carro de polícia vem do nada e dispara um (ou vários, se você for o player 2) tiro de bazuca que atinge todos os inimigos da tela, sem direito a defesa.

Apesar de apelão, o movimento só pode ser acionado uma vez por “vida”, a menos que você encontre o raríssimo Power Up que permite um novo tiro.

Apresentação

Impecável. Streets of Rage possui gráficos num nível de detalhamento correto para a plataforma que foi desenvolvido, nem mais, nem menos. Os cenários representam bem as ruas de uma cidade grande, com direito a neon, calçadas e paredes quebradas, luzes coloridas ao fundo e até praias sujas.

Os modelos dos personagens, se não são muito originais, ao menos são feitos com bastante cuidado.  Seguem aquele padrão clássico dos beat ‘em ups clássicos: meia dúzia de modelos, coloridos de forma diferente indicando maior ou menor força/dificuldade.

E o som… Digamos que na minha coleção de MP3 nunca pode faltar ao menos uma das músicas presentes no jogo, geralmente a versão original de Fighting in the Streets, da primeira fase do jogo. Recentemente tenho escutado bastante um medley de Go Straight (Streets of Rage 2) e Moon Beach (Streets of Rage 1) remixado pelo Eric Fraga (faça um favor a si mesmo e conheça o trabalho do cara aqui).

A trilha sonora foi criada por Yuzo Koshiro (que recentemente andou trabalhando em alguns RPGs para Nintendo DS como Etrian Odyssey 3, e 7th Dragon) remete àquele dance frenético do começo dos anos 90, flertando também com o jazz e o lounge em alguns momentos. São músicas que, depois de você ouvir por alguns minutos, já estará inevitavelmente as cantarolando. Papo sério.

A única falha, na minha opinião, são as vozes. E isso nem é tanto culpa dos desenvolvedores de Streets of Rage, e sim da plataforma, já que a parte de som digitalizado no Mega Drive sempre foi bem fraquinha. Mas depois de algum tempo jogando você se acostuma e nem nota mais os gritos de gato-robô das mulheres do jogo.

Considerações Finais

Streets of Rage é um daqueles poucos jogos que passam pela regra dos 15 anos. Beat ‘em up puro e simples, se esquemas de avanço de nível, sem combos complicados, mas ainda assim um excelente jogo. Os gráficos são bem competentes, tanto que conseguem não ficar grotescos até hoje, e as músicas são todas espetaculares e viciantes.

Se houver a possibilidade de jogar com um amigo, jogue. O jogo possui um final (ruim) alternativo só disponível para o modo de dois jogadores, se antes da batalha final um dos jogadores decidir aliar-se ao Sr. X. As novas versões (PS3 e XBOX 360) presentes na coletânea da Sega permitem a jogatina online, mas recomendo que seja jogado na sala de casa, de preferência tomando aquele refri e comendo o seu salgadinho da Elma Chips predileto.

Enfim, jogo recomendadíssimo sempre e garanto que daqui uns 10 anos ainda vou estar falando dele.

Edit (15,mar 2011): O jogo também está disponível desde janeiro de 2011 para PC. Uma das formas de comprá-lo é pelo Steam, ou individualmente ou no pacote Sega Mega Drive Classics 4, junto com alguns outros clássicos como Streets of Rage 2 e Shining Force. Para quem acha errado usar emuladores está aí uma excelente oportunidade de reviver esse clássico.

Streets of Rage é nativo do Mega Drive, mas pode ser encontrado em diversas outras plataformas, desde “demakes” para Game Gear e Master System – não recomendados – até ports mais fiéis para Sega CD, XBOX 360, PS3 e PC Windows e iOS (iPhone, iPod e iPad)