Braid – da Independência à Imortalidade

Braid

No final de 2009 eu me presenteei com o Playstation 3. Como os jogos em Blu-Ray são relativamente caros, eu meio que comecei a me virar com o que a PSN tinha para oferecer. O primeiro jogo que comprei foi o Marvel vs Capcom 2, mesmo não sendo um grande fã (ou bom jogador), mais para ter algo pra jogar. Aquilo era um port bem fiel ao que eu já tinha jogado antes no Dreamcast, então comecei a procurar por algo que trouxesse um ar novo. Mais que isso, experiências de jogabilidade completamente novas. Depois de pesquisar bastante, acabei comprando dois jogos extremamente aclamados pela crítica por serem inovadores: Flower (que talvez eu poste algo num futuro próximo) e Braid.

Braid é um jogo independente criado por Johnahan Blow (que inclusive esteve no Brasil ano passado), lançado inicialmente para XBOX 360 (agosto de 2008), depois para PC (abril de 2009) e por último para o PS3 (novembro de 2009). Foi premiado melhor jogo independente na Independent Games Festival em 2006, bem antes de ter sido lançado, e após seu lançamento ganhou diversos prêmios de melhor jogo baixável e melhor jogo independente de revistas e sites gabaritados, como GameSpot e IGN.

As imagens que eu via de Braid antes de comprá-lo não me chamavam tanto a atenção: me parecia um jogo de plataforma, bonitinho, mas ainda assim, mais um jogo de plataforma. E, salvo algumas poucas exceções, eu achava que o gênero tinha sido saturado na era 16 bits, com tantos Sonics e Marios genéricos.

Eu estava enganado. Redonda, mas felizmente enganado.

Ambientação

Em Braid você joga com o protagonista Tim, um homem que precisa salvar a sua princesa que foi raptada por um terrível monstro e para isso deve colher peças de quebra cabeça em 5 mundos, acessados através de quadros nos cômodos de uma casa. Cada mundo tem uma temática diferente, um clima diferente e para fazer uma alusão a um outro famoso jogo de plataforma, ao final de cada fase Tim encontra um castelo, onde um simpático dinossauro (que lembra o Barney) informa que a princesa está em outro castelo.

Braid

Eu já ví isso antes em algum lugar...

A trama dá margem a inúmeras interpretações, mas é o tipo de coisa complicada para se falar sem dar spoilers gravíssimos, que estragariam o final do jogo. Recomendo que você jogue e tire suas conclusões e, se quiser a minha opinião, converse comigo por e-mail ou GTalk, ou até mesmo em algum boteco por aí. Claro que você pode caçar explicações na web, elas existem aos montes, acredite.

Gameplay

Braid é um jogo de plataforma bem comum para quem acaba de pegar ele em mãos. Você pula na cabeça de inimigos para matar e para todos os efeitos não tem golpes além do próprio pulo.

Isso só numa primeira impressão – as 5 fases iniciais de Braid (que são referenciadas como os capítulos de 2 a 6) têm características bem próprias e em cada uma delas Tim possui um poder diferente, alterando a forma como os desafios devem ser superados.

Por exemplo, no capítulo 3 (Time and Mystery – Tempo e Mistério), Tim tem a habilidade de voltar no tempo, no melhor estilo Prince of Persia – Sands of Time. Porém ao inves de usar isso apenas para desfazer aquele último pulo que te fez cair num espinho, essa habilidade deve ser utilizada prestando atenção em elementos do cenário que podem (ou não) ser afetados por ela. Confuso? Digamos assim: há plataformas móveis que não voltam no tempo junto com Tim, e você deve usar isso a seu favor para fazer com que ele alcance as peças de quebra-cabeças da fase.

Outro exemplo: no capítulo 4 (Time and Place – Tempo e Lugar), o fluxo do tempo está diretamente relacionado com o movimento do personagem: se Tim anda pra frente, o tempo avança. Se anda pra trás, o tempo regride. E se fica parado, os elementos da tela se mantém parados. Isso chega a dar nós no cérebro em algumas situações.

Enfim, se eu ficar explicando o que ocorre em cada capítulo, esse review pode ficar um pouco massante. Acredite no seguinte: cada capítulo tem uma experiência de gameplay única, cada uma desafiadora a sua maneira. Você não é obrigado a superar todos os desafios na primeira vez que joga – apesar de que para terminar o jogo são necessárias todas as peças, você pode deixar de pegar uma para voltar nela depois, se achar que um determinado puzzle está difícil demais (acredite, isso vai acontecer). O trailer de Braid passa uma boa idéia de tudo isso.

Apresentação

Mais que uma pintura, Braid é uma obra de arte. Podemos começar pela primeira cena do jogo (a exibida no início desse post). Parece uma imagem simples, mas na verdade nessa parte você já está jogando.

Aliás, ainda bem que surgiram os jogos baixáveis nessa geração, salvando o 2D. Da era do Playstation 1 pra cá, muito pouco ou quase nada se fez em matéria de 2d ou plataforma. O mais perto que chegavam de gráficos “desenhados” eram os Cell Shadings, presentes em jogos como Okami e os Dragon Ball.

Voltando ao Braid, cada fase tem uma temática diferente, passando de um clima mais colorido e ensolarado da primeira fase a cenários cada vez mais cinzentos e destruídos nas fases seguintes.

A trilha sonora de Braid é maravilhosa, ainda que não tenha sido feita exclusivamente para ele (as músicas são licenciadas de artistas do selo independente Magnatune). Ainda assim, é incrível como elas se adequam tão perfeitamente ao clima do jogo. As músicas são bem tranquilas, com bastante instrumentos de cordas, e longas, o que faz com que não se repitam muito enquanto o jogador passa muito tempo tentando resolver um determinado puzzle. Interessante frisar também que as músicas soam bem até quando tocadas de trás pra frente, algo que ocorre muito em Braid.

Considerações Finais

Braid é recomendável para aquele jogador que está meio cansado de mesmice e quer algo diferente, inovador e bem caprichado. Possivelmente aquele seu amigo que só joga Call of Duty vai olhar esse jogo e falar que é uma porcaria.

É um daqueles jogos que todo gamer de respeito deve jogar antes de morrer. O jogo é curto, mas desafiador. Possui uma apresentação impecável, um texto cheio de nuances que podem passar despercebidas pelo jogador mais desatento, uma trilha sonora que acalma até os mais estressados dos nervos e  um final que pode surpreender muita gente.

Como se isso não bastasse, vez por outra a PSN, a Live ou a Steam fazem promoções malucas, reduzindo o preço desse jogo (no natal, por exemplo, houve o Humble Indie Bundle 2, onde Braid mais outros 4 jogos foram vendidos por… quanto você quisesse pagar! E o dinheiro ainda ia para a caridade!)

Braid foi jogado até o fim no Playstation 3, mas também está disponível para XBOX, PC e Mac.


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