Dissidia: Final Fantasy – O fan-service definitivo

Os Heróis de Final Fantasy Reunidos

Final Fantasy é sem dúvida uma das mais importantes séries de games que existe, goste você dela ou não. A série, criada por Hironobu Sakaguchi em 1987 já conta com 13 iterações da série principal (se desconsiderarmos o fiasco do Final Fantasy XIV que voltou para as pranchetas após a reprovação dos jogadores durante as fases de beta-testing), fora inúmeros spin-offs (séries paralelas como Final Fantasy: Crystal Chronicles; jogos fora do estilo RPG como o infantil Chocobo Tales e os excelentes Final Fantasy Tactics; ou ainda sequencias ou “prequencias” de títulos da série principal, como Final Fantasy X-2 e Final Fantasy VII – Crisis Core). É inegável que o emprego de pelo menos 99% dos funcionários da sua produtora Square-Enix está diretamente ligado ao sucesso de Final Fantasy.

Para quem não conhece a série, vale pincelar algumas informações:

  • Final Fantasy é uma série de jRPGs (Japanese Role Playing Games) essencialmente turn-based, ou seja, um personagem ataca e deve “esperar a sua vez” até que possa atacar novamente. A partir do 4º game da série – que foi trazido ao ocidente como Final Fantasy 2 porque os Final Fantasies 2 e 3 não haviam sido lançados por aqui – foi introduzido o Active Time Battle, onde características do personagem (como sua velocidade) influenciavam diretamente na ordem dos turnos, exigindo do jogador pensar melhor suas estratégias.
  • A série possui games em consoles de quase todas as marcas, como o NES e SNES da Nintendo, PS1, PS2 e PS3 da Sony, XBOX 360 da Microsoft e até PCs.
  • Os jogos da série Final Fantasy não possuem vínculos narrativos, ou seja, as histórias, os personagens e até os mundos são completamente independentes entre si
  • Os elementos que ligam a série estão relacionados a conceitos de jogabilidade, principalmente os nomes de itens, magias, classes de personagens ou dos Summons – criaturas poderosas que surgem no meio da batalha para auxiliar os heróis.

Dito isso, Dissidia: Final Fantasy é um jogo especialmente feito para comemorar o aniversário de 20 anos da série, presenteando os fãs com um cross-over definitivo entre alguns dos principais personagens dos dez primeiros jogos da série (além de personagens especiais de Final Fantasy XI e XII).

Ambientação

A série Final Fantasy, principalmente nos jogos mais antigos, sempre procurou tratar da briga por equilíbrio entre as forças da luz e das trevas.

Em Dissidia não é diferente: em seu eterno conflito, a Deusa Cosmos (da Harmonia) está dessa vez em desvantagem contra o Deus Chaos (da Discórdia) . Para isso ela convoca os 10 heróis de Final Fantasy, que deverão enfrentar seus maiores rivais para recuperar os 10 cristais que ajudarão a restaurar o equilíbrio do universo.

Gameplay

Se a história de Dissidia pode ser considerada “qualquer coisa”, o Gameplay deste jogo é único. Diferente dos RPGs da série Final Fantasy, Dissidia é um jogo de luta. Porém não é um jogo de luta clássico, de visão lateral como Street Fighter e Mortal Kombat; Tampouco se trata do estilo 3d presente na série Tekken e Soul Calibur. O vídeo abaixo mostra um pouco o ritmo frenético das lutas de Dissidia.

Dissidia possui um estilo próprio que lembra um pouco Dragon Ball Z Legend de Sega Saturn e Playstation 1, com cenários enormes em 3d cheios de elementos que podem ser destruídos durante as lutas, como montanhas e pilares. Ao invés de ter socos e chutes, os personagens possuem golpes especiais configurados no controle de maneira bem simples (ex: apertando “quadrado” aciona-se um golpe, apertando-se “para cima”+”quadrado” aciona-se um outro golpe – nada de “meia-lua, pra frente e soco”).

Os lutadores têm um medidor de Bravery, que indica o potencial de dano que ele pode causar no seu próximo golpe, e a barra de energia, que indica o quanto ele pode receber de dano físico. Os golpes, por sua vez, são divididos em dois grupos – ataques de Bravery, que reduzem o medidor de Bravery do inimigo e aumentam a sua, e os ataques físicos, que zeram seu contador de Bravery causando essa quantidade de dano no adversário. O sistema pode parecer meio confuso, mas depois que se aprende fica bem fácil.

Além disso, há uma barra lateral EX, que quando cheia permite ao jogador entrar em modo EX, deixando o personagem mais forte e com a possibilidade de desferir seu ataque especial, inspirado diretamente nas habilidades do personagem em seu jogo original (principalmente no caso dos personagens de Final Fantasy VII em diante).

O jogo conta com um modo história, onde o jogador deve passar por caminhos individuais de cada personagem. Nestes caminhos, o jogador encontrará “sombras”, versões muitas vezes enfraquecidas dos lutadores do jogo, e os personagens propriamente ditos (principalmente os inimigos sob o comando de Chaos, mas em algumas passagens deve-se enfrentar alguns dos amigos por motivos que não convém discutir). Depois de completar as 10 campanhas, o jogador ainda deve enfrentar mais quatro longos capítulos até enfrentar Chaos, sem contar os dois novos que surgem após a batalha “final”.

Conforme o jogador avança, seu personagem vai aumentando de nível, ganhando novas habilidades e pontos especiais que podem ser gastos desbloqueando conteúdo extra como novas skins, novos personagens e ícones para serem usados no modo online com a arte dos jogos antigos da série.

Apresentação

Dissidia: Final Fantasy foi feito com todo cuidado que os fãs de Final Fantasy poderiam esperar, com a arte de medalhões da série como Yoshitaka Amano, com seu estilo único de desenho e Nobuo Uematsu com suas composições memoráveis.

Os gráficos de Dissidia são excelentes para o nível do PSP, com efeitos de iluminação e posicionamento de câmera quase perfeitos, dando para as batalhas um clima épico que todo game de luta de personagens de Anime deveria ter (na minha opinião).

As músicas que tocam no game são versões rearranjadas de temas clássicos dos doze jogos da série, o que pode trazer lágrimas aos fãs mais saudosistas.

Outra coisa que chama atenção é o fato de que todos os Tutoriais do jogo são passados por personagens principais e secundários de todos os games da série, com seus sprites originais e fazendo referências a situações dos games antigos, mantendo o clima de fan-service.

Considerações Finais

Dissidia: Final Fantasy possui uma mecânica de jogo bem própria, um ritmo frenético, som maravilhoso e gráficos excelentes para a plataforma (PSP), no entanto dificilmente será apreciado por pessoas que não gostam ou conhecem a série Final Fantasy.

O modo história se estende mais do que deveria, mas ainda assim é bem divertido, sobretudo porque cada luta não dura mais que alguns segundos (em sua maioria). Talvez com uns dois ou três capítulos a menos no final o jogo ficasse num tamanho ideal.

Para quem jogou mais de dois jogos da série até o final (e gostou), Dissidia é um jogo obrigatório, podendo inclusive servir de motivação para conhecer um pouco mais sobre os outros personagens.

Por fim, Dissidia foi pelo menos 60% do motivo pelo qual comprei um PSP e, sinceramente, não me arrependo nem um pouco.

Links

Dissidia: Final Fantasy é exclusivo para o PSP (infelizmente, pois um jogo desses funcionaria muito bem num console de mesa)