Halo: Reach – O prequel da saga épica

Multiplayer em Halo: Reach

Confesso que falar de Halo: Reach (da Bungie, distribuido pela Microsoft Game Studios, 2010) sem ser leviano vai ser uma tarefa complicada pra mim, uma vez que nunca havia jogado nenhum jogo da série antes dele. Mas tenho me divertido tanto com esse game nas últimas semanas que achei interessante expor as minhas impressões para indicar este clássico instantâneo do XBOX 360.

Para quem não conhece, Halo é uma série de games FPS (First Person Shooter, tiro em primeira pessoa) de ficção científica centrada no conflito entre humanos e os Covenant (“o Pacto”), um grupo de alienígenas de diferentes espécies unidos por uma crença comum: louvar aos Forerunners (algo como “os Precursores”, embora haja um outro grupo no universo de Halo com o nome de Precursors). Os Covenant tinham por objetivo localizar relíquias de seus deuses e, em uma revelação por uma antiga Inteligência Artificial Forerunner a políticos Covenant, é descoberto que as relíquias dos Forerunners eram na verdade a própria raça humana, que seriam os seus descendentes. Com medo de perder seus poderes político-religiosos, os líderes Covenant declaram guerra contra os humanos, acusando esses de serem uma afronta aos seus Deuses.

Os principais motivos para o sucesso do game original (Halo: Combat Evolved de 2001 para XBOX, Windows e Mac) foram a sua jogabilidade fluida em joysticks e um multiplayer decente (ainda que offline) – algo praticamente inexistente até então, em se falando de consoles de video game. A excelente receptividade de Halo: Combat Evolved fez com que a Microsoft investisse ainda mais na franquia, com desdobramento da série em uma trilogia (Halo 2, para XBOX e 3, para XBOX 360), além dos spin-offs Halo 3: ODST e o jogo de estratégia Halo Wars. Em suma, não é exagero falar que um dos maiores motivos de existir um XBOX 360 hoje é a própria franquia Halo.

Isto posto, falemos um pouco de Reach.

Ambientação

Halo: Reach se passa antes dos eventos da trilogia original, de maneira que personagens familiares para os jogadores antigos da série (como o protagonista Master Chief e a inteligência artificial Cortana) não estarão presentes.

A história conta o esforço do grupo de Spartans conhecido como Noble Team em defender Reach, uma das últimas colônias de seres humanos existentes, e descobrir os reais interesses dos Covenant naquele setor. O jogador assume o papel de Noble Six, um talentoso Spartan que acaba de entrar neste time.

Durante todo o tempo se nota uma sensação de urgência, principalmente pela percepção do Noble Team em relação ao poder de fogo dos Covenant, muito maior que o das forças humanas neste planeta. Esta urgência faz com que a trama se torne mais e mais envolvente, prendendo o jogador até o último minuto.

Os cenários de Reach são bastante variados, passando desde campos verdejantes até cidades claustrofóbicas. É possível notar em algumas fases a grandiosidade da guerra, com inúmeras naves atacando incessantemente e diversas estruturas militares bem castigadas pelos ataques de ambos os lados.

Gameplay

Halo: Reach - Gameplay

Halo: Reach é o tipo de FPS que eu gosto: aquele que não é “sobre trilhos“, como é o caso dos populares Call of Duty e Battlefield. Isso significa que o jogador tem mais liberdade para andar no mapa e no campo de batalha mesmo durante o modo campanha. Os cenários são relativamente grandes e espaçosos em sua maioria, o que permite ao jogador criar estratégias para flanquear os inimigos.

O jogador carrega sempre duas armas por vez consigo, podendo ser armas humanas ou dos Covenant. Esse ponto vale a pena mencionar, pois se em jogos de guerra mais realistas há pouca variação nos efeitos de dez ou 20 rifles diferentes, em Reach, por ser um jogo mais fantasioso, têm se resultados bem diversificados ao se utilizar os diferentes tipos de armas. Isso varia desde armas que soltam cristais que “perseguem” os inimigos (Needler) às tradicionais escopetas (Shotgun), passando por lança-granadas, rifles de assalto, canhões de plasma dentre outras. E essas armas têm nitidamente efeitos bem diferentes para a jogabilidade.

Além das duas armas, itens especiais dão poderes adicionais ao Spartan, que ajudam bastante na elaboração de estratégias de combate. Dentre estes poderes, pode-se citar super-velocidade, vôo, escudo de energia, camuflagem e projeção de um holograma para enganar os inimigos.

Outro ponto que vale muito a pena ser citado é a inteligência artificial dos inimigos. Diferente de grande parte dos jogos de tiro, em Reach – e pelo que ouvi falar, em outros jogos da série Halo – a inteligência artificial é algo muito claro e perceptível. Os inimigos não ficam esperando o jogador tomar alguma atitude para atacar de volta: eles vão pra cima e, mais que isso, eles cercam, jogam granadas e combinam esforços para fazer da vida do pobre Noble Six um inferno. Isso torna jogar Halo: Reach uma experiência muito prazerosa, aumentando ainda mais o fator replay.

Algumas variações na jogabilidade são bem interessantes também, como a fase New Alexandria, onde o jogador deve pilotar um Falcon (uma espécie de helicóptero/avião de pequeno porte) e as fases onde há veículos terrestres para serem utilizados – o jogador pode inclusive abrir mão de dirigir e ficar em uma torreta cuidando apenas de eliminar os inimigos.

Multiplayer

Eu confesso que nunca fui muito um jogador de Multiplayer, principalmente em se tratando de FPS, onde geralmente você é jogado numa sala cheia de coreanos de 12 anos de idade que não fazem nada na vida além de praticar Headshots em velhinhos como eu. Mas o multiplay de Halo: Reach é tão balanceado que depois de muito pouco tempo eu comecei a conseguir me virar bem naquele ambiente hostil.

Diferente do Multiplay de games como Battlefield, onde os cenários são enormes e é muito fácil morrer no meio do caminho tomando um tiro de sniper (fazendo muitas vezes que você volte do começo da tela e percorra todo aquele caminho novamente), Reach conta com cenários menores e mais diretos, permitindo jogos rápidos e divertidos.

Além dos modos clássicos “competitivos” de multiplaying, Reach conta com modos cooperativos, onde o jogador e seus companheiros devem enfrentar hordas de inimigos, compartilhando um número limitado de vidas. É possível também jogar a campanha de Halo em co-op, o que pode tornar o replay do jogo ainda mais divertido.

Vale lembrar que o Multiplayer de Halo pode ser jogado desde online, passando pelo clássico “tela-dividida” (com seus amigos em casa) e até mesmo com uma LAN de XBOX 360, onde cada XBOX pode inclusive comportar sua pequena equipe de jogadores.

Apresentação


Se por um lado eu confesso que não acho que Halo: Reach tenha a qualidade gráfica de outros shooters desta geração (como os excelentes gráficos de Battlefield: Bad Company 2 ou de Killzone 3), por outro lado eles estão muito longe de serem considerados ruins. Pelo contrário, os gráficos de Reach são muito bons, no entanto tem-se a sensação de que o potencial total do XBOX 360 não é utilizado no game.

A trilha sonora, criada por Martin O’Donnell (de Myth) e Michael Salvatori, é bem cinematográfica, ajudando muito a ambientar o jogador no clima da guerra em que a história se passa. Muitas vezes ela traz um tom mais tribal e sombrio, remetendo a ambientação a um clima mais épico.

Joguei Halo: Reach americano, então as dublagens foram as originais em inglês. Gostei muito da interpretação dos dubladores, que se faz bastante necessária, uma vez que em 90% do tempo todos os personagens estão com capacetes, privando de passar qualquer emoção por expressões faciais. Alguns amigos meus jogaram Reach com a dublagem em português brasileiro e elogiaram igualmente o trabalho feito com as vozes do jogo.

Considerações Finais

Halo: Reach é um jogo obrigatório para quem tem XBOX 360 e gosta de FPS. Eu confesso que na primeira vez que joguei não vi nada de mais. Mas Reach é um game que te cativa nos pequenos detalhes, imperceptíveis em uma única jogada, como a necessidade constante de mudar de estratégia para enfrentar os inimigos e a inteligência artificial que o game tem.

A campanha é sensacional, com um final épico que merece ser jogado até o fim. Os personagens são cativantes, ainda que pareçam muito com aqueles estereótipos clássicos de filmes de segunda guerra mundial.

Os multiplayers – cooperativos e competitivos, locais e online – são todos divertidíssimos de jogar, o que garante um gameplay ainda mais extenso. A comunidade de Halo: Reach é bem grande e não é incomum encontrar grupos de brasileiros de todos os cantos do país para se jogar online.

Jogue! E se for jogar me adicione: jluiz81 😉

Links

Halo: Reach é um FPS exclusivo para o XBOX 360. Fotos extraídas do próprio site Oficial do game.

Wolfenstein (2009) – Nazistas e Misticismo no shooter da id Software

Alguns de vocês devem conhecer o movimento Jogo Justo, que visa alterar a categorização dos games para efeitos de taxação (hoje eles estão na categoria de jogos de azar, o que faz com que sejam mais taxados que armas, só pra se ter uma idéia). Uma das iniciativas deste movimento foi criar o “dia do Jogo Justo” – um dia onde alguns títulos seriam vendidos ao preço “sem imposto” em algumas lojas, com a finalidade de levantar dados para convencer as autoridades competentes que esse é um mercado com potencial real no Brasil e merece certa atenção.

Na véspera do “Dia do Jogo Justo”, a rede Walmart (que tem apoiado o movimento desde o início) resolveu fazer uma “prévia”, lançando mão de alguns títulos mais antigos a preços bem interessantes. Enquanto muitos reclamavam dos títulos disponíveis, eu aproveitei pra matar a minha curiosidade e comprar Wolfenstein para PS3 por justos R$ 55,00 (aproximadamente). Confesso que foi um dinheiro muito bem gasto!

A série Wolfenstein

Antes de mais nada, acho que vale a pena passar um pouco do background desta amada série de matar nazistas.

A série começou em 1981 (coincidentemente o ano em que nasci) com um jogo de Apple II chamado Castle Wolfenstein. O jogo possui gráficos tosquíssimos e se trata de um jogo de ação stealth (ou seja, você deve chegar ao seu objetivo sem chamar a atenção dos inimigos), onde um soldado americano deveria infiltrar-se no Castelo Wolfenstein e roubar os planos dos nazistas. O segundo jogo da série foi lançado em 1984 com o nome Beyond Castle Wolfenstein, possuía gráficos e jogabilidade semelhantes às do primeiro game. A trama de Beyond Castle Wolfenstein é levemente inspirada na histórica Operação: Valkyria e consistia em plantar uma mala com bombas num bunker secreto onde Hiltler faria uma reunião com o alto escalão do exército germânico.

Em 1992 nós temos o lançamento do jogo mais importante da série e, definitivamente, um dos jogos mais importantes da história dos games: Wolfenstein 3D. Muitos consideram Wolf3d (como era chamado por muitos jogadores na época) o primeiro FPS (First-Person-Shooter, ou “jogo de tiro em primeira pessoa” em uma tradução livre), embora alguns defendam que já havia jogos no estilo desde a década de 70. De qualquer forma, o primeiro jogo a realmente popularizar o estilo foi Wolfenstein 3D da id Software (se pronuncia “id” mesmo, não “I-dê” ou “Ai-Di” como muitos pensam), em grande parte devido a revolucionária engine criada pelo gênio John Carmack que fazia com que o jogo rodasse de maneira fluida até em computadores menos potentes (eu rodava no meu PC AT 386 lisinho lisinho).

Wolfenstein 3D nos introduz o protagonista William “B.J.” Blaskowicz (se pronuncia Blaskovitch), um soldado americano de ascendência Polonesa, que deve fugir da fortaleza alemã conhecida como “Castle Wolfenstein“. Para isso, Blaskowicz precisa enfrentar o exército nazista e suas experiências bizarras, como soldados robôs e até um Hitler-Ciborgue!

Sim, um Hitler Ciborgue!

Quase dez anos depois de Wolf3D, surgiu o jogo Return to Castle Wolfenstein, com excelentes gráficos (ele foi construido em cima da Engine de Quake 3 Arena) e meio que recontava a história de Blaskowicz, que deve se infiltrar no exército alemão para obter informações sobre a divisão Paranormal da SS chefiada pelo histórico líder nazista Heirich Himmler. Diferente dos jogos mais antigos, Return to Castle Wolfenstein conta com cenários externos, fugindo do ambiente claustrofóbico tradicional de Wolfenstein.

O último jogo da série foi entitulado apenas “Wolfenstein” e foi lançado para PS3, XBOX 360 e PC em uma co-produção entre id Software e Raven Software (de Heretic e Hexen dentre outros). Falemos dele.

Ambientação

A história se passa na fictícia cidade alemã de Isenstadt em 1943, alguns meses após os eventos ocorridos em Return to Castle Wolfenstein.

Em Wolfenstein o jogador assume novamente o papel do (agora capitão) Agente “B.J.” Blaskovicz em sua incessante luta para frear os avanços das divisões sobrenaturais Nazistas. Neste jogo, o infame exército alemão está atrás de cristais Nachtsonne, necessários para acessar a Black Sun Dimension e garantir aos nazistas poderes para ganhar a Segunda Guerra Mundial. Durante o jogo, Blaskovicz conhece diferentes facções que auxiliam na luta contra o exército alemão.

Além das armas de fogo, BJ conta com poderes sobrenaturais graças ao Medalhão Thule, uma senhora arma para enfrentar os inimigos nem um pouco convencionais neste fantasioso jogo de guerra.

Gameplay

Wolfenstein é em um primeiro momento um jogo de tiro clássico. Ele foge desse novo modelo visto nos modos “campanha” de Call of Duty e Battlefield de FPS “sobre trilhos” (ou seja, o jogador não tem como escolher muito para onde ir –  deve seguir exatamente o caminho proposto pelo jogo).  Além disso, ao voltar em uma mesma região depois de algum tempo, os inimigos encontrados serão diferentes. Isso dá uma sensação de dinamismo muito legal para o game, diferente do que vem acontecendo nos últimos FPSs.

Além de metralhadoras e rifles, o jogador conta também com armas mais experimentais como um canhão de partículas e um outro elétrico. As armas podem ser modificadas conforme se avança no jogo (e se obtém documentos de inteligência alemã) melhorando aspectos como dano e a quantidade de munição que se pode carregar.

A exemplo do aclamado Bioshock, em Wolfenstein o jogador conta com poderes interessantes além dos elementos de shooter típico, como um escudo a prova de balas, super velocidade e maior dano para suas armas.  Os poderes são obtidos gradualmente e são cada vez mais necessários, uma vez que à medida que o jogo vai avançando, os inimigos econtrados no caminho vão ficando cada vez mais difíceis.

Apresentação

Os gráficos do jogo não são nenhum espetáculo quando comparados a outros jogos da mesma época. Os modelos de personagens, principalmente os aliados de B.J., são bem toscos e me arrisco até a dizer mal-feitos. Os inimigos até convencem, uma vez que estão mais em movimento e as imperfeições acabam não sendo notados em seus mínimos detalhes. Os cenários são bem feitos, com riqueza de detalhes e uma variação interessante de ambientes – fazenda, cavernas, igrejas, esgotos, fábricas.

O som segue uma linha segura de trilha sonora de filmes e jogos de guerra, com variações mais sinistras em momentos que pedem mais suspense (por exemplo a fase do hospital onde alguns inimigos invisíveis podem atacar a qualquer momento).

As dublagens são até que bem feitas, mas americanos falando com um sotaque alemão forçado é algo que me incomoda um pouco – às vezes tenho a clara sensação de estar vendo alguma novela italiana da Globo, com aquele povo forçando um sotaque macarrônico ridículo. Mas eu acho que não daria para ser muito diferente: talvez dublagens em alemão com legendas em inglês dessem um tom sério ao jogo que não encaixaria em seu contexto.

Considerações Finais

Wolfenstein ganhou notas variando entre 7 e 8  (de 0 a 10) na maior parte das avaliações por que passou e eu acho que são notas que fazem jus a ele. Tive a sorte de pagar um preço baixíssimo nesse jogo. Confesso que se tivesse que pagar seu preço cheio (aproximadamente R$100,00) talvez nunca o tivesse jogado.

game foi uma grata surpresa e é bem divertido, desde que você saiba como encará-lo. É óbvio desde o começo que Wolfenstein não se leva tão a sério como outros shooters mais modernos, com compromissos reais de representar a história tomando liberdades artísticas muito restritas para que aquilo tudo soe plausível.

Hoje em dia pouca coisa pode ser assassinada num game de forma realista sem despertar o ódio da comunidade mundial. Fora alienígenas e zumbis, uma das coisas que podemos matar sem sentimento de culpa (ou medo de o jogo ser censurado, melhor dizendo) são nazistas (isso, é claro, se você não morar na Alemanha). Então, prepare seu medalhão e seu canhão de partículas e mande ver!

Links

Wolfenstein está disponível para PC, XBOX 360 e PS3 (que é a versão que eu joguei para fazer este Post).

Fallout New Vegas – Mais do mesmo?

Confesso que Fallout: New Vegas foi o 2º jogo mais hypado pra mim em 2010 (atrás somente de Final Fantasy XIII, por razões históricas). Contava os meses para que ele saísse. Ficava chateado quando saía uma nota de adiamento. Imaginava o que viria na Collector’s Edition.

Enfim, notícias foram aparecendo. As primeiras fotos mostravam que os gráficos estavam apenas sensivelmente melhores que os de Fallout 3 – um jogo de 2008 que não tinha gráficos absurdamente incríveis mesmo pra sua época, (se comparado com games como Mass Effect e Assassins Creed que são de 2007). A engine Gamebryo também seria mantida, o que na minha opinião era algo parcialmente ruim. Joguei o Fallout 3 em 2009 no XBOX 360, já com os patches de correção aplicados. Assim, não me lembro de bugs além de uma ou outra travadinha, normal para um game que joguei por mais de 100 horas (sim, Fallout 3 foi um game que me consumiu a vida). Mas não é incomum encontrar relatos revoltados na Internet falando do quão frustrante eram alguns bugs, que chegavam a impedir que certas missões fossem cumpridas.

Eu comecei a ficar com medo, mas meu  hype ainda estava lá no alto.

Enfim, em outubro de 2010 a Bethesda lançou o jogo desenvolvido pela Obsidian. Dei uma sorte tremenda de um amigo estar nos Estados Unidos para me trazer a edição de colecionador, inclusive com uma etiquetinha de “Proibida a venda antes de 19 de outubro de 2010”. E mais: ele comprou na Gamestop, o que me rendeu itens exclusivos in-game (a saber, uma roupa, uma arma e um cantil ).

Acho que vale a pena registrar minha leve frustração com a edição de colecionador. Enquanto Fallout 3 vinha em uma lancheira metálica contendo um bobblehead do simpático Vault-Boy e um livro com a arte conceitual (além de um Blu Ray com o Making Of, também presente neste jogo), New Vegas acompanha um baralho com imagens dos personagens, 7 fichas de poker imitando as fichas usadas nos cassinos do jogo, uma ficha de platina do casino Lucky 68 (um dos mais importantes itens do jogo) e uma história em quadrinhos (mal desenhada, na minha opinião) em capa dura contando o prólogo do game. Não, não estou vendendo meu box, se é isso que você está pensando!

Game em mãos, vamos jogar!

Ambientação

Nisso não dá pra errar: Fallout sempre teve uma das melhores ambientações do mundo dos games. O mundo de Fallout trata de um futuro alternativo onde a energia nuclear avançou mais que a eletrônica, gerando um clima bem steampunk embora futurista, encontra-se televisões de tubo, computadores com monitor de fósforo verde, carros voadores que mantém o design dos antigos “rabos-de-peixe”. Neste mundo, uma grande guerra nuclear ocorreu no ano de 2077 entre Estados Unidos e China, destruindo completamente o planeta.

Fallout: New Vegas se passa em 2281 ( quatro anos após os eventos ocorridos em Fallout 3, ainda que o jogo não seja uma sequencia deste) na região do deserto Mojave, nas imediações do que hoje é Las Vegas. Seu personagem é um courrier que foi incumbido de transportar uma mercadoria muito valiosa para um dos “poderosos” do universo de Fallout: New Vegas, mas que não completa sua missão por ser sabotado por Benny (que é dublado por ninguém menos que Matthew Perry, o Chandler de Friends). O courrier é deixado para morrer no deserto, mas é salvo por um robô chamado Victor. A partir daí, a missão do jogador é investigar o que ocorreu, localizando o seu algoz e entendendo por quê a encomenda era tão importante.

No caminho, o jogador irá encontrar diversas facções, como a NCR (New California Republic, recorrente do Fallout 2) – um grupo militar que, embora esteja desorganizado, busca colocar ordem em Mojave (à sua maneira); a Legião de Caesar – um grupo de escravizadores impiedosos liderados pelo fanático Caesar; gangues tribais como os Great Khans e os Fiends; a Brotherhood of Steel ,um grupo de paladinos em busca do que sobrou da tecnologia do passado; dentre várias outras facções. E está na mão do jogador saber como ele vai agir – ajudando a NCR, ajudando o Caesar ou simplesmente fazendo as coisas por si só.

Outra coisa que vale a pena destacar no universo de Fallout é o humor negro/ácido da série. Situações inusitadas como ghouls (seres humanos que ficaram expostos demais à radiação, e agora parecem zumbis) querendo ir para o espaço ou uma garotinha que virou uma Super-Mutant e está atrás de seu robozinho de estimação, muitas vezes aliviam o clima de desgraça que acomete todo o povo que vive nesse futuro pós-apocalíptico tendo que revirar comida no lixo e tirar sua subsistência do meio dos escombros.

Gameplay

Fallout New Vegas joga bem parecido com o seu antecessor, Fallout 3. O jogo é um RPG de mundo aberto, com elementos de shooter FPS . O jogador pode optar por tratar o jogo como um jogo de tiro ou utilizar o V.A.T.S. (Vault-Tec Assisted Targeting System), onde é possível mirar em pontos específicos dos inimigos enquanto o combate é pausado.

Os menus e status do jogador são acionados através do seu Pip-boy 3000, um dispositivo acoplado ao braço que indica os níveis de radiação, a energia do jogador, seus ítens e seus objetivos, além de contar com mapas, rádio e uma útil lanterna.

O jogador tem um número imenso de lugares no mapa para visitar, cada um com características próprias – inimigos, visual, etc.

Como em outros jogos da série, conforme o personagem vai avançando de nível, vai ganhando pontos para gastar em habilidades como ciência, medicina, proficiência em armas, bater carteiras, dentre outras. Além disso, existem as perks, que dão habilidades diferentes, como visão noturna ou maior afinidade com o sexo oposto (garantindo mais opções para resolver certos problemas no jogo). Falando nisso, a possibilidade de resolver um mesmo problema de diversas maneiras em Fallout: New Vegas é algo incrível. Certas situações podem ser resolvidas com três ou quatro estratégias diferentes, desde simplesmente ignorar, passando por uma atitude mais diplomática, até mesmo resolver tudo na bala.

Em Fallout: New Vegas você pode contar com a ajuda de alguns companheiros, cada um com personalidade própria e um background diferente. Em relação ao Fallout 3, o sistema de companheiros está bem mais rico, sendo possível definir a estratégia de como eles vão se portar em combate de uma forma bem fácil e intuitiva.

Tudo isso faria de Fallout: New Vegas um jogo excelente, não fosse um pequeno problema: o jogo foi lançado às pressas repleto de bugs. Estou jogando a versão de PS3 e é praticamente impossível jogá-lo por mais de uma hora sem que o videogame trave. Ouvi falar que a versão de XBOX 360 é um pouco mais estável, mas essa informação também é um pouco controversa. Além dos travamentos “comuns”, há situações que travam a resolução de quests, como itens que ficam presos abaixo do solo e NPCs que não reagem da forma como deveriam (às vezes os NPCs ficam falando uma mesma frase indefinidamente, quando você sabe que ele deveria estar falando alguma outra coisa).

Apresentação

Como eu mencionei anteriormente, Fallout: New Vegas pouco evolui em relação ao 3. Na verdade, é nítida a impressão de que boa parte dos modelos do Fallout 3 foram reaproveitados, reforçando ainda mais a pergunta “como diabos eles conseguiram lançar um jogo com tantos bugs onde tão pouco de novo foi feito”.

Os gráficos de New Vegas, apesar de competentes na maior parte do tempo, sofrem com os bugs do jogo. Não é incomum algumas texturas não carregarem perfeitamente quando você chega perto delas (mantendo aquele aspecto de borrão que não foi carregado direito). Outro problema que ocorre é quando você está em situações em que há um número muito grande de personagem na tela – os frames por segundo caem drasticamente, tornando a experiência de jogo horrível nesses momentos.

A trilha sonora é muito bem feita, reunindo músicas clássicas dos anos 1940, mesclando bem com o visual retrô de boa parte das localizações. Minha única crítica à trilha sonora é que o jogo possui poucas músicas (não creio que chegue a 30 músicas “de rádio”), o que fica bem evidente em um jogo de mais de 40 horas. Também estão presentes músicas instrumentais “ambiente” dão o clima para os momentos mais tensos do jogo, com uma pegada que mistura os filmes Western com terror/suspense.

Considerações Finais

Fallout: New Vegas não é um game nota 10 – o reaproveitamento dos gráficos de Fallout 3 e a evolução muito sutil em dois anos tira a nota máxima dele. Também não é um game nota 8 – os bugs frustrantes, a continua necessidade de se reiniciar o videogame em certos momentos também tiram isso dele.

Por outro lado, não posso dar uma nota menor que 6 para esse jogo, já que ele consegue ser um jogo que consegue prender por mais de 60 horas – o trabalho de dublagem, o enredo, a trama, as possibilidades diferentes de se resolver determinados problemas,a ambientação, tudo isso conta pontos para Fallout: New Vegas. O mundo de New Vegas é bem rico e tenho certeza que deixei de falar de uns 10 ou 20 momentos sensacionais desse jogo por aqui.

Sendo assim, seria justo dar uma nota 7 para Fallout: New Vegas. É possível se divertir muito jogando, se você não se irritar ao ponto de tacar o controle do videogame na tela da sua TV.

Fallout: New Vegas foi jogado até praticamente o final (estou fazendo as últimas missões para um dos finais)  no Playstation 3. O jogo também está disponível para PC e XBOX 360, sendo que para o 360 há a expansão Dead Money, uma missão completamente nova com Achievements exclusivos.