[Inconstanticast] – E3 e os novos consoles

Olá amigos,

Neste momento estreamos uma nova atração no blog – o Inconstanticast.

Sempre tive vontade de gravar um podcast, mas nunca tive ânimo suficiente para colocar isso em prática.

Neste primeiro programa, eu (Johnny), Vinny, Diogo Cotonete e Val registramos as nossas impressões sobre a E3, comentando sobre os novos consoles Wii U e PS Vita, além de alguns dos jogos que mais nos chamaram atenção. Espero que vocês curtam!

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Ou pelo link!

 

 

Mafia II – Revivendo os clássicos filmes de Gangsters

Mafia 2

Confesso que um dos gêneros que sempre me fascinou é o de filmes de Mafia e crime organizado. “Os Bons Companheiros” (The Goodfellas, 1990), “Cassino” (Casino, 1995), de Martin Scorcese e a clássica trilogia de Francis Ford Coppola,O Poderoso Chefão” (The Godfather, 1972 a 1990) são filmes que me cativam principalmente por trazer o dia-a-dia da vida destes criminosos – família, amizades, traição, “ética profissional” – sem necessariamente se preocupar tanto com a ação.

Mafia II (2010, 2k Games) é um game que trata exatamente deste mundo, um assunto que, na minha humilde opinião, foi relativamente mal explorado nos jogos da série “The Godfather” (1 para PS2, PS3, XBOX 360, Wii e PC e 2 para XBOX360, PS3 e PC).  Diferentemente do que se possa imaginar, Mafia II não é sequencia direta de Mafia: The City of Lost Heaven, apenas toma emprestadas algumas mecânicas e a temática. Ou seja, não ter jogado o primeiro game da série não afeta em nada jogar a sua sequencia.

Ambientação

Vito Scaletta e sua Tommy Gun em um tiroteio

Mafia II se passa entre os anos 1940 e 1950 na fictícia Empire Bay, inspirada em cidades americanas como Nova York, Los Angeles e San Fracisco. O jogador assume o papel de Vito Scaletta, um imigrante italiano da Sicilia que chegou com a família ainda menino aos Estados Unidos em busca do sonho americano.

Por influência de seu melhor amigo Joe Barbaro, começa a cometer pequenos crimes para conseguir dinheiro fácil. Durante um roubo Vito acaba sendo preso, mas recebe a oportunidade de se livrar da cadeia servindo ao exército americano na Segunda Guerra Mundial numa incursão à Itália (inclusive a missão da qual ele participa serve de tutorial para o game).

Nessa missão acaba se ferindo e é mandado de volta aos EUA para se recuperar. Chegando lá, percebe que seu amigo Joe está muito bem de vida, graças aos contatos que fez com “gente importante” (a.k.a. Mafiosos). Joe oferece a Vito a possibilidade de fazer parte disso tudo, e assim começa a vida de Vito Scaletta na Máfia.

Em Mafia II o jogador assume o papel daquele cara que faz o trabalho sujo dos gangsters. Desta forma, o jogador é posto em situações não tão glamurosas, como se enfiar em esgotos e frigoríficos, enterrar corpos, levar amigos baleados ao médico, dentre outras.

O mundo de Mafia II, se não é tão rico quanto o de outros sandboxes como GTA e Red Dead Redemption (ambos da Rockstar), é bastante coeso e oferece uma ótima experiência ao que se propõe. Além disso, como o jogo se passa durante épocas distintas, o jogador pode passar por experiências diferentes na mesma cidade, como as ruas escorregadias durante o inverno e a evolução dos carros e da música ao longo dos anos (lembrando que o jogo se passa entre mais ou menos o fim da Segunda Guerra em 1944 e o começo dos anos 50).

E a trama, que eu considero o ponto alto do jogo, remete muito às situações vividas pelos protagonistas dos clássicos filmes de Máfia de Scorcese e Coppola, o que acaba sendo um atrativo maior aos fãs do estilo.

Gameplay

Mafia II é um sandbox que inova muito pouco (praticamente nada, sendo bem sincero) quando comparado aos clássicos do gênero da Rockstar. No entanto o seu tamanho reduzido e missões mais diretas (o jogador não precisa ficar procurando o que fazer) pode fazer dele um jogo mais atraente para aqueles que não tem paciência para ficar horas dirigindo um carro (ou cavalo) num game de mundo aberto.

O jogador tem aquela visão de terceira pessoa com a câmera nas costas do personagem, deve usar sempre de muretas e colunas para se esconder dos tiros (o já clássico sistema de “cover”) e ocasionalmente participa de perseguições com a polícia usando carros. Ou seja, GTA IV, puro e simples.

Falando em polícia, esta se mostra um pouco mais preocupada com as ações do jogador que em outros jogos do estilo, perseguindo-o até por excesso de velocidade e estando presente em bem maior número. O jogador pode ser procurado por sua própria aparência (nesses casos deve-se trocar de roupa) ou pela placa do carro (trocar de carro ou alterar a placa do carro em oficinas no jogo resolvem o problema). Por sorte, a inteligência artificial que lhes foi dada é bem limitada (pra não dizer burra), sendo muito fácil despistar a polícia na maior parte dos casos.

Logicamente as armas são as da época (sorry, no bazooka for you!), onde o jogador deve fazer uso de Tommy Guns e revolveres antigos para passar por cima dos inimigos. Em alguns casos o jogador precisa resolver os assuntos “na mão”, com um sistema de luta simples, mas eficiente. Os carros também estão bem representados em matéria de jogabilidade, já que não têm aquela direção suave dos carros de hoje em dia, e também por apresentarem dirigibilidade diferenciada mesmo entre si.

Por fim, também herdado do estilo GTA de ser, há os famigerados “itens colecionáveis” escondidos na cidade, como posters de criminosos e o mais divertido de todos, revistas Playboy da época (que permitem ao jogador visualizar uma foto por revista conquistada).

Apresentação

Vito Scaletta observa a paisagem

Ponto altíssimo de Mafia II, a apresentação deste game faz com que ele se destaque em relação a tantos outros sandboxes.

Os gráficos de Mafia II são, na minha opinião, bem superiores aos vistos tipicamente nos games da Rockstar. Os detalhes da cidade, a neve sobre os carros (que cai quando você começa a andar), as marcas no rosto dos personagens e a paleta de cores diferenciada para cada época do jogo mostra o cuidado que a 2k teve ao fazer este talvez subestimado game.

O som também merece destaque, com músicas de grandes artistas da época como Dean MartinBill Haley & His CometsJohn Lee HookerMuddy Waters, para citar alguns. O número de canções pode não ser imenso, mas como o jogo em si não é lá muito longo, isso não chega a incomodar. Além do mais, quando se passa dos anos 40 para os anos 50, as músicas mudam, encorajando o jogador a mexer no dial do rádio virtual dos carros.

Considerações Finais

Mafia II é um sandbox bastante indicado para quem não tem muita paciência com sandboxes em geral. Sua mecânica mais direta, mais voltada para a história do jogo (sem side-quests, missões optativas e minigames) faz com que o jogador concentre-se mais na trama do game, que agradará bastante aos fãs de filmes de mafiosos.

Os personagens são cativantes e possuem personalidade mais marcante do que na maioria dos games neste estilo. A música é sensacional e os gráficos bem polidos.

O game não é muito longo, aproximadamente umas 14 horas de gameplay, mas no fim das contas isso acaba sendo bom, pois se fosse muito maior fatalmente se tornaria bem chato e repetitivo.

Links

Mafia II é um game da 2k Games, disponível para PS3, XBOX 360 e PC. As imagens exibidas aqui foram extraídas do site da produtora e muito provavelmente pertencem à versão de PC. A versão jogada por mim foi a de PS3.

Heavy Rain – Um thriller de respeito

Ethan Mars, um dos personagens principais de Heavy Rain

 

Heavy Rain, de 2010, é um Adventure/thriller exclusivo para PlayStation 3 desenvolvido pela Quantic Dream (de Indigo Prophecy – ou Fahrenheit, dependendo da região de lançamento). O jogo narra o caminho de quatro personagens distintos na caça a um assassino serial conhecido como Origami Killer (O Assassino do Origami).

O meu primeiro contato com Heavy Rain foi através dos meus colegas do antigo emprego, Vinícius “Vinny” Salmeron e Tiago Lima, que estavam num hype tremendo procurando um lugar a um preço decente para comprar.

Fui atrás da demo na PSN e joguei. Bom, eu achei os gráficos interessantes, mas o jogo não me conquistou. Eu apanhei muito pra fazer o Shelby, um dos personagens principais, andar em linha reta e aquilo me deixou um tanto frustrado. Ainda assim, durante essa época acompanhei meus amigos (principalmente o Vinny) comentando o quão fora do comum era Heavy Rain, o quanto esse jogo fugia de clichês e o quanto a trama era extremamente envolvente. Como estava com uma fila bem grande de jogos, ignorei os comentários e segui minha vida.

Pois bem, eis que no ano passado eu fui presenteado com um bundle de Playstation Move, o controle de movimento do PS3 nos moldes dos WiiMotes do Nintendo Wii. A imprensa especializada era praticamente unânime em dizer que Heavy Rain ganhava um fôlego completamente novo, sendo um dos melhores títulos para se jogar com um controle de movimento lançados até então. Eu já não podia mais fugir de Heavy Rain.

Ambientação

Heavy Rain pode ser visto sem exageros como um ótimo filme de aproximadamente 8 horas. A ambientação proporcionada pelo game é algo único, impossível de se captar jogando apenas a Demo, o que me fez cometer uma certa injustiça com ele no meu primeiro contato.

O jogo gira em torno do drama de Ethan Mars, um pai dedicado que começa a questionar o seu valor após a morte do seu primeiro filho Jason num acidente e o sequestro do seu segundo filho Shaun pelo Origami Killer praticamente diante de seus olhos. O Origami Killer é um assassino já conhecido no mundo de Heavy Rain, que todo outono sequestra e mata um menino de aproximadamente 10 anos, sempre por afogamento.  Para recuperar o seu filho, Ethan deve cometer certos sacrifícios conforme as orientações do metódico assassino, no melhor estilo Jogos Mortais ou Seven.

O jogador controla ainda outros três personagens, com personalidades e fraquezas diferentes, que também estão investigando o caso do Assassino do Origami – Madison Paige, uma jornalista que sofre de insônia, Norman Jayden, um agente do FBI viciado em “triptiocaína” (uma droga fictícia existente no jogo) especialmente enviado à cidade por conta do caso, e Scott Shelby, um ex-policial asmático que trabalha como detetive particular investigando os casos do Origami Killer a pedido dos pais das vítimas.

Os defeitos e qualidades dos personagens de Heavy Rain são tão realistas que fazem com que o envolvimento do jogador com as cenas seja praticamente inevitável. O jogo é extremamente imersivo e a história puxa ganchos que fazem com que o jogador fale durante várias vezes “só mais um capítulozinho e eu paro”.

Gameplay

Heavy Rain tem um gameplay que consiste principalmente em movimentos sequenciais no melhor estilo de “quick-time-events” – como os presentes em God of War por exemplo, onde o jogador deve pressionar sequencias de botões em uma ordem correta conforme eles vão aparecendo na tela. A diferença é que muitas das vezes pode se escolher quais desses movimentos serão realizados, alterando assim o curso dos eventos que ocorrerão. daí em diante.

Se a minha primeira impressão com os controles de Heavy Rain utilizando o Dualshock 3 (o controle convencional do PS3) não foi das melhores, o jogo ganhou um significado completamente novo quando o joguei com o Move. Diferente de outros jogos e controles de movimento, Heavy Rain deve ser jogado sentado, o que é perfeito, uma vez que as jogatinas de Heavy Rain chegam a durar algumas horas. Outra coisa: eu consegui jogar mesmo usando o Move com as luzes do meu quarto desligadas, o que foi bem legal para me manter no clima da história. Importante salientar que para jogar com o Playstation Move é necessária uma atualização de aproximadamente 2GB (não lembro direito o tamanho), que é realizada com as frustrantes taxas de transferência da PSN (que ficam ainda mais frustrantes com a Internet daqui de casa).

Em determinado momento do jogo, em um dos sacrifícios que Ethan deve fazer, confesso que fiquei tão imerso naquele ambiente que cheguei a gritar de dor junto com o personagem, <SPOILER LEVE A SEGUIR> segurando o Move como se fosse um machado <FIM DE SPOILER>.

Diferente da maior parte dos jogos, Heavy Rain não tem um Game Over. Neste jogo é possível se chegar a 22 finais diferentes, então ate as menores ocorrências no decorrer do jogo podem afetar completamente o desfecho da história.

Madisson Paige

Apresentação

Trazendo gráficos bastante polidos na maior parte do tempo, Heavy Rain é um daqueles games que surpreende à primeira jogada. Confesso que depois de algum tempo certas expressões faciais dos personagens pareciam um pouco forçadas ou exageradas, mas ainda assim o game traz uma qualidade na captura de movimentos bem acima da média.

A trama se passa praticamente inteira durante um outono chuvoso na cidade (que se mantem anônima durante toda história, mas remete a ambientes da Philadelphia). O clima é bastante pesado, as cores usadas tendem bastante ao cinza e ao marrom, trazendo sempre um sentimento de tristeza e melancolia. Durante a corrida contra o tempo para o salvamento do garoto Shaun Mars, não para de chover nem por um minuto – e a chuva, como se pode esperar – possui uma participação essencial na trama de Heavy Rain.

A trilha sonora de Heavy Rain foi composta pelo canadense Normand Corbeil e é toda orquestral, digna de filmes de Hollywood. O tema principal é bastante melancólico e ajuda muito a colocar o jogador nos pés de Ethan Mars, sofrendo a agonia de saber se seu filho está bem ou não, se vai sobreviver ou não.

Por fim, as dublagens do jogo são muito boas, todas feitas por atores escolhidos num longo processo pela produtora do game – processo este que pode ser visto nos extras desbloqueáveis no jogo. Alguns dos personagens chegaram a ser modelados a partir dos atores que lhes dão voz, como é o caso de Scott Shelby, modelado a partir do ator Sam Douglas.

Scott Shelby (personagem) e Sam Douglas (o ator responsável pela voz e aparência)

Considerações Finais

Heavy Rain é um jogo tenso e envolvente como poucos. O clima todo envolvendo o drama do personagem principal Ehan Mars por vezes me fez questionar se eu faria igual ou não – como o jogo dá liberdade, você pode testar as consequencias de suas escolhas e observar a história se desdobrando de maneiras diferentes.

Confesso que depois de jogá-lo, fiquei curioso para jogar também o Fahrenheit, jogo anterior da Quantic Dream, e estou num hype absurdo para poder jogar algo novo deles.

Por fim, se possível  jogue com o Move! Nunca joguei nada parecido, a imersão no jogo aumenta consideravelmente, o que possivelmente ajudou a me convencer que Heavy Rain possui um “algo mais”.

Heavy Rain é um jogo exclusivo de PS3. Terminei apenas uma vez, num final que ao meu ver considerei “feliz”.


Wolfenstein (2009) – Nazistas e Misticismo no shooter da id Software

Alguns de vocês devem conhecer o movimento Jogo Justo, que visa alterar a categorização dos games para efeitos de taxação (hoje eles estão na categoria de jogos de azar, o que faz com que sejam mais taxados que armas, só pra se ter uma idéia). Uma das iniciativas deste movimento foi criar o “dia do Jogo Justo” – um dia onde alguns títulos seriam vendidos ao preço “sem imposto” em algumas lojas, com a finalidade de levantar dados para convencer as autoridades competentes que esse é um mercado com potencial real no Brasil e merece certa atenção.

Na véspera do “Dia do Jogo Justo”, a rede Walmart (que tem apoiado o movimento desde o início) resolveu fazer uma “prévia”, lançando mão de alguns títulos mais antigos a preços bem interessantes. Enquanto muitos reclamavam dos títulos disponíveis, eu aproveitei pra matar a minha curiosidade e comprar Wolfenstein para PS3 por justos R$ 55,00 (aproximadamente). Confesso que foi um dinheiro muito bem gasto!

A série Wolfenstein

Antes de mais nada, acho que vale a pena passar um pouco do background desta amada série de matar nazistas.

A série começou em 1981 (coincidentemente o ano em que nasci) com um jogo de Apple II chamado Castle Wolfenstein. O jogo possui gráficos tosquíssimos e se trata de um jogo de ação stealth (ou seja, você deve chegar ao seu objetivo sem chamar a atenção dos inimigos), onde um soldado americano deveria infiltrar-se no Castelo Wolfenstein e roubar os planos dos nazistas. O segundo jogo da série foi lançado em 1984 com o nome Beyond Castle Wolfenstein, possuía gráficos e jogabilidade semelhantes às do primeiro game. A trama de Beyond Castle Wolfenstein é levemente inspirada na histórica Operação: Valkyria e consistia em plantar uma mala com bombas num bunker secreto onde Hiltler faria uma reunião com o alto escalão do exército germânico.

Em 1992 nós temos o lançamento do jogo mais importante da série e, definitivamente, um dos jogos mais importantes da história dos games: Wolfenstein 3D. Muitos consideram Wolf3d (como era chamado por muitos jogadores na época) o primeiro FPS (First-Person-Shooter, ou “jogo de tiro em primeira pessoa” em uma tradução livre), embora alguns defendam que já havia jogos no estilo desde a década de 70. De qualquer forma, o primeiro jogo a realmente popularizar o estilo foi Wolfenstein 3D da id Software (se pronuncia “id” mesmo, não “I-dê” ou “Ai-Di” como muitos pensam), em grande parte devido a revolucionária engine criada pelo gênio John Carmack que fazia com que o jogo rodasse de maneira fluida até em computadores menos potentes (eu rodava no meu PC AT 386 lisinho lisinho).

Wolfenstein 3D nos introduz o protagonista William “B.J.” Blaskowicz (se pronuncia Blaskovitch), um soldado americano de ascendência Polonesa, que deve fugir da fortaleza alemã conhecida como “Castle Wolfenstein“. Para isso, Blaskowicz precisa enfrentar o exército nazista e suas experiências bizarras, como soldados robôs e até um Hitler-Ciborgue!

Sim, um Hitler Ciborgue!

Quase dez anos depois de Wolf3D, surgiu o jogo Return to Castle Wolfenstein, com excelentes gráficos (ele foi construido em cima da Engine de Quake 3 Arena) e meio que recontava a história de Blaskowicz, que deve se infiltrar no exército alemão para obter informações sobre a divisão Paranormal da SS chefiada pelo histórico líder nazista Heirich Himmler. Diferente dos jogos mais antigos, Return to Castle Wolfenstein conta com cenários externos, fugindo do ambiente claustrofóbico tradicional de Wolfenstein.

O último jogo da série foi entitulado apenas “Wolfenstein” e foi lançado para PS3, XBOX 360 e PC em uma co-produção entre id Software e Raven Software (de Heretic e Hexen dentre outros). Falemos dele.

Ambientação

A história se passa na fictícia cidade alemã de Isenstadt em 1943, alguns meses após os eventos ocorridos em Return to Castle Wolfenstein.

Em Wolfenstein o jogador assume novamente o papel do (agora capitão) Agente “B.J.” Blaskovicz em sua incessante luta para frear os avanços das divisões sobrenaturais Nazistas. Neste jogo, o infame exército alemão está atrás de cristais Nachtsonne, necessários para acessar a Black Sun Dimension e garantir aos nazistas poderes para ganhar a Segunda Guerra Mundial. Durante o jogo, Blaskovicz conhece diferentes facções que auxiliam na luta contra o exército alemão.

Além das armas de fogo, BJ conta com poderes sobrenaturais graças ao Medalhão Thule, uma senhora arma para enfrentar os inimigos nem um pouco convencionais neste fantasioso jogo de guerra.

Gameplay

Wolfenstein é em um primeiro momento um jogo de tiro clássico. Ele foge desse novo modelo visto nos modos “campanha” de Call of Duty e Battlefield de FPS “sobre trilhos” (ou seja, o jogador não tem como escolher muito para onde ir –  deve seguir exatamente o caminho proposto pelo jogo).  Além disso, ao voltar em uma mesma região depois de algum tempo, os inimigos encontrados serão diferentes. Isso dá uma sensação de dinamismo muito legal para o game, diferente do que vem acontecendo nos últimos FPSs.

Além de metralhadoras e rifles, o jogador conta também com armas mais experimentais como um canhão de partículas e um outro elétrico. As armas podem ser modificadas conforme se avança no jogo (e se obtém documentos de inteligência alemã) melhorando aspectos como dano e a quantidade de munição que se pode carregar.

A exemplo do aclamado Bioshock, em Wolfenstein o jogador conta com poderes interessantes além dos elementos de shooter típico, como um escudo a prova de balas, super velocidade e maior dano para suas armas.  Os poderes são obtidos gradualmente e são cada vez mais necessários, uma vez que à medida que o jogo vai avançando, os inimigos econtrados no caminho vão ficando cada vez mais difíceis.

Apresentação

Os gráficos do jogo não são nenhum espetáculo quando comparados a outros jogos da mesma época. Os modelos de personagens, principalmente os aliados de B.J., são bem toscos e me arrisco até a dizer mal-feitos. Os inimigos até convencem, uma vez que estão mais em movimento e as imperfeições acabam não sendo notados em seus mínimos detalhes. Os cenários são bem feitos, com riqueza de detalhes e uma variação interessante de ambientes – fazenda, cavernas, igrejas, esgotos, fábricas.

O som segue uma linha segura de trilha sonora de filmes e jogos de guerra, com variações mais sinistras em momentos que pedem mais suspense (por exemplo a fase do hospital onde alguns inimigos invisíveis podem atacar a qualquer momento).

As dublagens são até que bem feitas, mas americanos falando com um sotaque alemão forçado é algo que me incomoda um pouco – às vezes tenho a clara sensação de estar vendo alguma novela italiana da Globo, com aquele povo forçando um sotaque macarrônico ridículo. Mas eu acho que não daria para ser muito diferente: talvez dublagens em alemão com legendas em inglês dessem um tom sério ao jogo que não encaixaria em seu contexto.

Considerações Finais

Wolfenstein ganhou notas variando entre 7 e 8  (de 0 a 10) na maior parte das avaliações por que passou e eu acho que são notas que fazem jus a ele. Tive a sorte de pagar um preço baixíssimo nesse jogo. Confesso que se tivesse que pagar seu preço cheio (aproximadamente R$100,00) talvez nunca o tivesse jogado.

game foi uma grata surpresa e é bem divertido, desde que você saiba como encará-lo. É óbvio desde o começo que Wolfenstein não se leva tão a sério como outros shooters mais modernos, com compromissos reais de representar a história tomando liberdades artísticas muito restritas para que aquilo tudo soe plausível.

Hoje em dia pouca coisa pode ser assassinada num game de forma realista sem despertar o ódio da comunidade mundial. Fora alienígenas e zumbis, uma das coisas que podemos matar sem sentimento de culpa (ou medo de o jogo ser censurado, melhor dizendo) são nazistas (isso, é claro, se você não morar na Alemanha). Então, prepare seu medalhão e seu canhão de partículas e mande ver!

Links

Wolfenstein está disponível para PC, XBOX 360 e PS3 (que é a versão que eu joguei para fazer este Post).

Braid – da Independência à Imortalidade

Braid

No final de 2009 eu me presenteei com o Playstation 3. Como os jogos em Blu-Ray são relativamente caros, eu meio que comecei a me virar com o que a PSN tinha para oferecer. O primeiro jogo que comprei foi o Marvel vs Capcom 2, mesmo não sendo um grande fã (ou bom jogador), mais para ter algo pra jogar. Aquilo era um port bem fiel ao que eu já tinha jogado antes no Dreamcast, então comecei a procurar por algo que trouxesse um ar novo. Mais que isso, experiências de jogabilidade completamente novas. Depois de pesquisar bastante, acabei comprando dois jogos extremamente aclamados pela crítica por serem inovadores: Flower (que talvez eu poste algo num futuro próximo) e Braid.

Braid é um jogo independente criado por Johnahan Blow (que inclusive esteve no Brasil ano passado), lançado inicialmente para XBOX 360 (agosto de 2008), depois para PC (abril de 2009) e por último para o PS3 (novembro de 2009). Foi premiado melhor jogo independente na Independent Games Festival em 2006, bem antes de ter sido lançado, e após seu lançamento ganhou diversos prêmios de melhor jogo baixável e melhor jogo independente de revistas e sites gabaritados, como GameSpot e IGN.

As imagens que eu via de Braid antes de comprá-lo não me chamavam tanto a atenção: me parecia um jogo de plataforma, bonitinho, mas ainda assim, mais um jogo de plataforma. E, salvo algumas poucas exceções, eu achava que o gênero tinha sido saturado na era 16 bits, com tantos Sonics e Marios genéricos.

Eu estava enganado. Redonda, mas felizmente enganado.

Ambientação

Em Braid você joga com o protagonista Tim, um homem que precisa salvar a sua princesa que foi raptada por um terrível monstro e para isso deve colher peças de quebra cabeça em 5 mundos, acessados através de quadros nos cômodos de uma casa. Cada mundo tem uma temática diferente, um clima diferente e para fazer uma alusão a um outro famoso jogo de plataforma, ao final de cada fase Tim encontra um castelo, onde um simpático dinossauro (que lembra o Barney) informa que a princesa está em outro castelo.

Braid

Eu já ví isso antes em algum lugar...

A trama dá margem a inúmeras interpretações, mas é o tipo de coisa complicada para se falar sem dar spoilers gravíssimos, que estragariam o final do jogo. Recomendo que você jogue e tire suas conclusões e, se quiser a minha opinião, converse comigo por e-mail ou GTalk, ou até mesmo em algum boteco por aí. Claro que você pode caçar explicações na web, elas existem aos montes, acredite.

Gameplay

Braid é um jogo de plataforma bem comum para quem acaba de pegar ele em mãos. Você pula na cabeça de inimigos para matar e para todos os efeitos não tem golpes além do próprio pulo.

Isso só numa primeira impressão – as 5 fases iniciais de Braid (que são referenciadas como os capítulos de 2 a 6) têm características bem próprias e em cada uma delas Tim possui um poder diferente, alterando a forma como os desafios devem ser superados.

Por exemplo, no capítulo 3 (Time and Mystery – Tempo e Mistério), Tim tem a habilidade de voltar no tempo, no melhor estilo Prince of Persia – Sands of Time. Porém ao inves de usar isso apenas para desfazer aquele último pulo que te fez cair num espinho, essa habilidade deve ser utilizada prestando atenção em elementos do cenário que podem (ou não) ser afetados por ela. Confuso? Digamos assim: há plataformas móveis que não voltam no tempo junto com Tim, e você deve usar isso a seu favor para fazer com que ele alcance as peças de quebra-cabeças da fase.

Outro exemplo: no capítulo 4 (Time and Place – Tempo e Lugar), o fluxo do tempo está diretamente relacionado com o movimento do personagem: se Tim anda pra frente, o tempo avança. Se anda pra trás, o tempo regride. E se fica parado, os elementos da tela se mantém parados. Isso chega a dar nós no cérebro em algumas situações.

Enfim, se eu ficar explicando o que ocorre em cada capítulo, esse review pode ficar um pouco massante. Acredite no seguinte: cada capítulo tem uma experiência de gameplay única, cada uma desafiadora a sua maneira. Você não é obrigado a superar todos os desafios na primeira vez que joga – apesar de que para terminar o jogo são necessárias todas as peças, você pode deixar de pegar uma para voltar nela depois, se achar que um determinado puzzle está difícil demais (acredite, isso vai acontecer). O trailer de Braid passa uma boa idéia de tudo isso.

Apresentação

Mais que uma pintura, Braid é uma obra de arte. Podemos começar pela primeira cena do jogo (a exibida no início desse post). Parece uma imagem simples, mas na verdade nessa parte você já está jogando.

Aliás, ainda bem que surgiram os jogos baixáveis nessa geração, salvando o 2D. Da era do Playstation 1 pra cá, muito pouco ou quase nada se fez em matéria de 2d ou plataforma. O mais perto que chegavam de gráficos “desenhados” eram os Cell Shadings, presentes em jogos como Okami e os Dragon Ball.

Voltando ao Braid, cada fase tem uma temática diferente, passando de um clima mais colorido e ensolarado da primeira fase a cenários cada vez mais cinzentos e destruídos nas fases seguintes.

A trilha sonora de Braid é maravilhosa, ainda que não tenha sido feita exclusivamente para ele (as músicas são licenciadas de artistas do selo independente Magnatune). Ainda assim, é incrível como elas se adequam tão perfeitamente ao clima do jogo. As músicas são bem tranquilas, com bastante instrumentos de cordas, e longas, o que faz com que não se repitam muito enquanto o jogador passa muito tempo tentando resolver um determinado puzzle. Interessante frisar também que as músicas soam bem até quando tocadas de trás pra frente, algo que ocorre muito em Braid.

Considerações Finais

Braid é recomendável para aquele jogador que está meio cansado de mesmice e quer algo diferente, inovador e bem caprichado. Possivelmente aquele seu amigo que só joga Call of Duty vai olhar esse jogo e falar que é uma porcaria.

É um daqueles jogos que todo gamer de respeito deve jogar antes de morrer. O jogo é curto, mas desafiador. Possui uma apresentação impecável, um texto cheio de nuances que podem passar despercebidas pelo jogador mais desatento, uma trilha sonora que acalma até os mais estressados dos nervos e  um final que pode surpreender muita gente.

Como se isso não bastasse, vez por outra a PSN, a Live ou a Steam fazem promoções malucas, reduzindo o preço desse jogo (no natal, por exemplo, houve o Humble Indie Bundle 2, onde Braid mais outros 4 jogos foram vendidos por… quanto você quisesse pagar! E o dinheiro ainda ia para a caridade!)

Braid foi jogado até o fim no Playstation 3, mas também está disponível para XBOX, PC e Mac.


Fallout New Vegas – Mais do mesmo?

Confesso que Fallout: New Vegas foi o 2º jogo mais hypado pra mim em 2010 (atrás somente de Final Fantasy XIII, por razões históricas). Contava os meses para que ele saísse. Ficava chateado quando saía uma nota de adiamento. Imaginava o que viria na Collector’s Edition.

Enfim, notícias foram aparecendo. As primeiras fotos mostravam que os gráficos estavam apenas sensivelmente melhores que os de Fallout 3 – um jogo de 2008 que não tinha gráficos absurdamente incríveis mesmo pra sua época, (se comparado com games como Mass Effect e Assassins Creed que são de 2007). A engine Gamebryo também seria mantida, o que na minha opinião era algo parcialmente ruim. Joguei o Fallout 3 em 2009 no XBOX 360, já com os patches de correção aplicados. Assim, não me lembro de bugs além de uma ou outra travadinha, normal para um game que joguei por mais de 100 horas (sim, Fallout 3 foi um game que me consumiu a vida). Mas não é incomum encontrar relatos revoltados na Internet falando do quão frustrante eram alguns bugs, que chegavam a impedir que certas missões fossem cumpridas.

Eu comecei a ficar com medo, mas meu  hype ainda estava lá no alto.

Enfim, em outubro de 2010 a Bethesda lançou o jogo desenvolvido pela Obsidian. Dei uma sorte tremenda de um amigo estar nos Estados Unidos para me trazer a edição de colecionador, inclusive com uma etiquetinha de “Proibida a venda antes de 19 de outubro de 2010”. E mais: ele comprou na Gamestop, o que me rendeu itens exclusivos in-game (a saber, uma roupa, uma arma e um cantil ).

Acho que vale a pena registrar minha leve frustração com a edição de colecionador. Enquanto Fallout 3 vinha em uma lancheira metálica contendo um bobblehead do simpático Vault-Boy e um livro com a arte conceitual (além de um Blu Ray com o Making Of, também presente neste jogo), New Vegas acompanha um baralho com imagens dos personagens, 7 fichas de poker imitando as fichas usadas nos cassinos do jogo, uma ficha de platina do casino Lucky 68 (um dos mais importantes itens do jogo) e uma história em quadrinhos (mal desenhada, na minha opinião) em capa dura contando o prólogo do game. Não, não estou vendendo meu box, se é isso que você está pensando!

Game em mãos, vamos jogar!

Ambientação

Nisso não dá pra errar: Fallout sempre teve uma das melhores ambientações do mundo dos games. O mundo de Fallout trata de um futuro alternativo onde a energia nuclear avançou mais que a eletrônica, gerando um clima bem steampunk embora futurista, encontra-se televisões de tubo, computadores com monitor de fósforo verde, carros voadores que mantém o design dos antigos “rabos-de-peixe”. Neste mundo, uma grande guerra nuclear ocorreu no ano de 2077 entre Estados Unidos e China, destruindo completamente o planeta.

Fallout: New Vegas se passa em 2281 ( quatro anos após os eventos ocorridos em Fallout 3, ainda que o jogo não seja uma sequencia deste) na região do deserto Mojave, nas imediações do que hoje é Las Vegas. Seu personagem é um courrier que foi incumbido de transportar uma mercadoria muito valiosa para um dos “poderosos” do universo de Fallout: New Vegas, mas que não completa sua missão por ser sabotado por Benny (que é dublado por ninguém menos que Matthew Perry, o Chandler de Friends). O courrier é deixado para morrer no deserto, mas é salvo por um robô chamado Victor. A partir daí, a missão do jogador é investigar o que ocorreu, localizando o seu algoz e entendendo por quê a encomenda era tão importante.

No caminho, o jogador irá encontrar diversas facções, como a NCR (New California Republic, recorrente do Fallout 2) – um grupo militar que, embora esteja desorganizado, busca colocar ordem em Mojave (à sua maneira); a Legião de Caesar – um grupo de escravizadores impiedosos liderados pelo fanático Caesar; gangues tribais como os Great Khans e os Fiends; a Brotherhood of Steel ,um grupo de paladinos em busca do que sobrou da tecnologia do passado; dentre várias outras facções. E está na mão do jogador saber como ele vai agir – ajudando a NCR, ajudando o Caesar ou simplesmente fazendo as coisas por si só.

Outra coisa que vale a pena destacar no universo de Fallout é o humor negro/ácido da série. Situações inusitadas como ghouls (seres humanos que ficaram expostos demais à radiação, e agora parecem zumbis) querendo ir para o espaço ou uma garotinha que virou uma Super-Mutant e está atrás de seu robozinho de estimação, muitas vezes aliviam o clima de desgraça que acomete todo o povo que vive nesse futuro pós-apocalíptico tendo que revirar comida no lixo e tirar sua subsistência do meio dos escombros.

Gameplay

Fallout New Vegas joga bem parecido com o seu antecessor, Fallout 3. O jogo é um RPG de mundo aberto, com elementos de shooter FPS . O jogador pode optar por tratar o jogo como um jogo de tiro ou utilizar o V.A.T.S. (Vault-Tec Assisted Targeting System), onde é possível mirar em pontos específicos dos inimigos enquanto o combate é pausado.

Os menus e status do jogador são acionados através do seu Pip-boy 3000, um dispositivo acoplado ao braço que indica os níveis de radiação, a energia do jogador, seus ítens e seus objetivos, além de contar com mapas, rádio e uma útil lanterna.

O jogador tem um número imenso de lugares no mapa para visitar, cada um com características próprias – inimigos, visual, etc.

Como em outros jogos da série, conforme o personagem vai avançando de nível, vai ganhando pontos para gastar em habilidades como ciência, medicina, proficiência em armas, bater carteiras, dentre outras. Além disso, existem as perks, que dão habilidades diferentes, como visão noturna ou maior afinidade com o sexo oposto (garantindo mais opções para resolver certos problemas no jogo). Falando nisso, a possibilidade de resolver um mesmo problema de diversas maneiras em Fallout: New Vegas é algo incrível. Certas situações podem ser resolvidas com três ou quatro estratégias diferentes, desde simplesmente ignorar, passando por uma atitude mais diplomática, até mesmo resolver tudo na bala.

Em Fallout: New Vegas você pode contar com a ajuda de alguns companheiros, cada um com personalidade própria e um background diferente. Em relação ao Fallout 3, o sistema de companheiros está bem mais rico, sendo possível definir a estratégia de como eles vão se portar em combate de uma forma bem fácil e intuitiva.

Tudo isso faria de Fallout: New Vegas um jogo excelente, não fosse um pequeno problema: o jogo foi lançado às pressas repleto de bugs. Estou jogando a versão de PS3 e é praticamente impossível jogá-lo por mais de uma hora sem que o videogame trave. Ouvi falar que a versão de XBOX 360 é um pouco mais estável, mas essa informação também é um pouco controversa. Além dos travamentos “comuns”, há situações que travam a resolução de quests, como itens que ficam presos abaixo do solo e NPCs que não reagem da forma como deveriam (às vezes os NPCs ficam falando uma mesma frase indefinidamente, quando você sabe que ele deveria estar falando alguma outra coisa).

Apresentação

Como eu mencionei anteriormente, Fallout: New Vegas pouco evolui em relação ao 3. Na verdade, é nítida a impressão de que boa parte dos modelos do Fallout 3 foram reaproveitados, reforçando ainda mais a pergunta “como diabos eles conseguiram lançar um jogo com tantos bugs onde tão pouco de novo foi feito”.

Os gráficos de New Vegas, apesar de competentes na maior parte do tempo, sofrem com os bugs do jogo. Não é incomum algumas texturas não carregarem perfeitamente quando você chega perto delas (mantendo aquele aspecto de borrão que não foi carregado direito). Outro problema que ocorre é quando você está em situações em que há um número muito grande de personagem na tela – os frames por segundo caem drasticamente, tornando a experiência de jogo horrível nesses momentos.

A trilha sonora é muito bem feita, reunindo músicas clássicas dos anos 1940, mesclando bem com o visual retrô de boa parte das localizações. Minha única crítica à trilha sonora é que o jogo possui poucas músicas (não creio que chegue a 30 músicas “de rádio”), o que fica bem evidente em um jogo de mais de 40 horas. Também estão presentes músicas instrumentais “ambiente” dão o clima para os momentos mais tensos do jogo, com uma pegada que mistura os filmes Western com terror/suspense.

Considerações Finais

Fallout: New Vegas não é um game nota 10 – o reaproveitamento dos gráficos de Fallout 3 e a evolução muito sutil em dois anos tira a nota máxima dele. Também não é um game nota 8 – os bugs frustrantes, a continua necessidade de se reiniciar o videogame em certos momentos também tiram isso dele.

Por outro lado, não posso dar uma nota menor que 6 para esse jogo, já que ele consegue ser um jogo que consegue prender por mais de 60 horas – o trabalho de dublagem, o enredo, a trama, as possibilidades diferentes de se resolver determinados problemas,a ambientação, tudo isso conta pontos para Fallout: New Vegas. O mundo de New Vegas é bem rico e tenho certeza que deixei de falar de uns 10 ou 20 momentos sensacionais desse jogo por aqui.

Sendo assim, seria justo dar uma nota 7 para Fallout: New Vegas. É possível se divertir muito jogando, se você não se irritar ao ponto de tacar o controle do videogame na tela da sua TV.

Fallout: New Vegas foi jogado até praticamente o final (estou fazendo as últimas missões para um dos finais)  no Playstation 3. O jogo também está disponível para PC e XBOX 360, sendo que para o 360 há a expansão Dead Money, uma missão completamente nova com Achievements exclusivos.


Red Dead Redemption – o “Grand Theft Horse” da Rockstar

Red Dead Redemption

Em 2010 a Rockstar acertou em cheio, nos presenteando com um dos melhores sandboxes  já feitos até agora. Red Dead Redemption (RDR) foi produzido pelo estúdio Rockstar San Diego, braço da Rockstar responsável pela engine RAGE (Rockstar Advanced Game Engine a mesma de GTA IV) e é o sucessor indireto de Red Dead Revolver (PS2), ainda que pouco tenha sido herdado do seu irmão mais velho.

A trama

Red Dead Redemption conta a história de John Marston, um ex-fora-da-lei que tem sua esposa e filho sequestrados pelo governo americano em troca da captura de seu antigo chefe, Dutch van der Linde, vivo ou morto. Para isso, Marston deve buscar informações no sul do Texas e no norte do México com ex companheiros de bando e os mais estranhos tipos que só as cabeças da Rockstar poderiam pensar.

Ambientação

A temática Western sempre foi curiosamente pouco explorada nos games. Particularmente, tirando o Wanted (jogo de pistola do Master System) e o glorioso Sunset Riders, não consigo lembrar de muitos outros. O mundo de RDR só evidencia ainda mais a pouca utilização desta temática, justamente por utilizar tão bem esse cenário.

Os clichês estão todos lá – duelos ao meio dia, bolas de feno rolando pelo deserto, aquele whiskey “cowboy” no balcão do saloon, as fiéis montarias, o laço, bandana na cara pra não ser reconhecido e até mesmo amarrar donzelas indefesas no trilho do trem. Junte a isso um protagonista bad-ass e uns inimigos chicanos e você tem o cenário perfeito para um excelente jogo.

Por último mas não menos importante, outro destaque do game vai para a fauna. O mundo de Red Dead Redemption é povoado por inúmeros tipos de animais, que podem ser caçados e ter suas carcaças vendidas rendendo um pouco mais de grana ao nosso protagonista. Desde tatus, coelhos e corvos até coiotes, lobos e ursos, sempre inseridos em um habitat adequado e comportando-se cada um a sua maneira, aumentando ainda mais o realismo do jogo.

Apresentação

Os gráficos de RDR são excelentes, sobretudo quando comparados a outros sandboxes. É claro que hoje em dia existem outros jogos com gráficos melhores (Uncharted, por exemplo), mas não consigo pensar em nenhum que tenha a grandeza do mundo de RDR e ainda assim consiga rodar suavemente, praticamente sem telas de loading (as telas de loading no Red Dead Redemption praticamente só são carregadas ao se iniciar o jogo e no começo de cada missão).

Não sinta-se mal se por acaso se pegar prestando atenção em um pôr do sol ou nas formações rochosas dos desertos do México. Red Dead Redemption traz uma preocupação em detalhar os cenários poucas vezes antes vista em um game, e a impressão que se dá é a de que os cenários do jogo foram feitos centímetro a centímetro, com um cuidado de um verdadeiro artesão.

E a trilha sonora é um show a parte. Ela está sempre alí, mas está tão mesclada ao cenário que às vezes você esquece. A temática, como não poderia deixar de ser, é bem aquela dos antigos filmes de bang-bang, variando do som mais “ambiente” nos momentos mais calmos (por exemplo durante as cavalgadas no deserto) até um som mais vibrante, durante os tiroteios nos esconderijos dos malfeitores. Destaque em particular para a música Far Away, tocada durante a chegada de Marston ao México.

Gameplay

Red Dead Redemption pode parecer um clone faroeste de GTA IV em seus primeiros momentos. Pode até parecer menos livre, se levarmos em consideração que logo de cara não dá pra sair matando meio mundo na rua. Mas conforme se vai jogando, nota-se peculiaridades que, quando somadas, tornam a experiência de jogo única.

O sistema de “cover” (esconder-se atrás de paredes, caixotes, etc), presente em quase todos os jogos de ação/tiro dessa geração, é elemento obrigatório durante os tiroteios do jogo. Além disso, o game traz o sistema de red-eye-targeting (presente no seu antecessor Red Dead Revolver e no FPS western Call of Juarez) onde o jogador consegue deixar o mundo em câmera lenta por alguns segundos para mirar em diversos inimigos de uma vez e em seguida fulminá-los em questão de segundos.

O mapa de Red Dead Redemption é relativamente grande. Desta forma, para chegar em destinos mais ermos, o jogador pode contar com um cavalo (que pode ser mágica e convenientemente chamado praticamente de qualquer lugar com um simples toque no botão de assobiar) ou pode contar com cocheiros em determinadas cidades, agilizando bastante a viagem. Particularmente recomendo as viagens a cavalo, principalmente no começo do jogo: durante essas viagens você sempre pode encontrar uma donzela em apuros ou uma gangue de ladrões, situações que depois de algum tempo tornam-se repetitivas, mas ainda assim são divertidas de jogar.

Fora todo o gameplay convencional, Red Dead Redemption conta com minigames bem mais interessantes que GTA IV, dentre os quais podemos destacar o Poker (com direito a trapacear e tudo), arremesso de ferradura e braço de ferro, só pra citar alguns.

Multiplay

Muito se criticou no multiplay de Red Dead Redemption, dizendo principalmente que ele foi sub-aproveitado. Pode até ser verdade, mas ainda assim eu curti muito.

Acho que dá pra resumir o multiplay de RDR em dois tipos: o convencional, onde jogadores encontram-se num lounge para Team Versus ou Deathmatch, e o free-roam, onde você pode revisitar os pontos que no mapa livremente, podendo formar gangues com outros jogadores, invadir esconderijos e enfrentar gangues adversárias.

O modo multiplayer funciona com um esquema de níveis, que você ganha conforme vai completando missões e matando outros jogadores. Aumentando o nível, o jogador ganha a possibilidade de alterar a sua aparência (dentre modelos pré-configurados de personagens que aparecem no jogo) e sua montaria (partindo desde um burrico até a lendária zebra!).

Considerações Finais

Red Dead Redemption é definitivamente um dos melhores jogos que saiu em 2010 e é obrigatório para fãs de GTA e sandboxes em geral. A apresentação do jogo é impecável, bem como sua trilha sonora que se mescla tão naturalmente com o jogo. A trama é envolvente, os personagens são carismáticos, as situações pelas quais o protagonista John Marston passa são interessantíssimas (pra não falar bizarras) e o jogo diverte mesmo quando você não estiver interessado em seguir a trama principal.

E falando em não seguir a trama principal, se você se interessou pelo game, vale a pena conferir também sua expansão Undead Nightmare, que coloca os personagens conhecidos da trama principal em uma história nova e absurda, em um mundo alternativo de zumbis no velho-oeste. Vale MUITO a pena. MESMO!

A versão avaliada de Red Dead Redemption foi a de Playstation 3. O jogo também está disponível para XBOX 360. Imagens retiradas do próprio site do jogo.