Red Dead Redemption – o “Grand Theft Horse” da Rockstar

Red Dead Redemption

Em 2010 a Rockstar acertou em cheio, nos presenteando com um dos melhores sandboxes  já feitos até agora. Red Dead Redemption (RDR) foi produzido pelo estúdio Rockstar San Diego, braço da Rockstar responsável pela engine RAGE (Rockstar Advanced Game Engine a mesma de GTA IV) e é o sucessor indireto de Red Dead Revolver (PS2), ainda que pouco tenha sido herdado do seu irmão mais velho.

A trama

Red Dead Redemption conta a história de John Marston, um ex-fora-da-lei que tem sua esposa e filho sequestrados pelo governo americano em troca da captura de seu antigo chefe, Dutch van der Linde, vivo ou morto. Para isso, Marston deve buscar informações no sul do Texas e no norte do México com ex companheiros de bando e os mais estranhos tipos que só as cabeças da Rockstar poderiam pensar.

Ambientação

A temática Western sempre foi curiosamente pouco explorada nos games. Particularmente, tirando o Wanted (jogo de pistola do Master System) e o glorioso Sunset Riders, não consigo lembrar de muitos outros. O mundo de RDR só evidencia ainda mais a pouca utilização desta temática, justamente por utilizar tão bem esse cenário.

Os clichês estão todos lá – duelos ao meio dia, bolas de feno rolando pelo deserto, aquele whiskey “cowboy” no balcão do saloon, as fiéis montarias, o laço, bandana na cara pra não ser reconhecido e até mesmo amarrar donzelas indefesas no trilho do trem. Junte a isso um protagonista bad-ass e uns inimigos chicanos e você tem o cenário perfeito para um excelente jogo.

Por último mas não menos importante, outro destaque do game vai para a fauna. O mundo de Red Dead Redemption é povoado por inúmeros tipos de animais, que podem ser caçados e ter suas carcaças vendidas rendendo um pouco mais de grana ao nosso protagonista. Desde tatus, coelhos e corvos até coiotes, lobos e ursos, sempre inseridos em um habitat adequado e comportando-se cada um a sua maneira, aumentando ainda mais o realismo do jogo.

Apresentação

Os gráficos de RDR são excelentes, sobretudo quando comparados a outros sandboxes. É claro que hoje em dia existem outros jogos com gráficos melhores (Uncharted, por exemplo), mas não consigo pensar em nenhum que tenha a grandeza do mundo de RDR e ainda assim consiga rodar suavemente, praticamente sem telas de loading (as telas de loading no Red Dead Redemption praticamente só são carregadas ao se iniciar o jogo e no começo de cada missão).

Não sinta-se mal se por acaso se pegar prestando atenção em um pôr do sol ou nas formações rochosas dos desertos do México. Red Dead Redemption traz uma preocupação em detalhar os cenários poucas vezes antes vista em um game, e a impressão que se dá é a de que os cenários do jogo foram feitos centímetro a centímetro, com um cuidado de um verdadeiro artesão.

E a trilha sonora é um show a parte. Ela está sempre alí, mas está tão mesclada ao cenário que às vezes você esquece. A temática, como não poderia deixar de ser, é bem aquela dos antigos filmes de bang-bang, variando do som mais “ambiente” nos momentos mais calmos (por exemplo durante as cavalgadas no deserto) até um som mais vibrante, durante os tiroteios nos esconderijos dos malfeitores. Destaque em particular para a música Far Away, tocada durante a chegada de Marston ao México.

Gameplay

Red Dead Redemption pode parecer um clone faroeste de GTA IV em seus primeiros momentos. Pode até parecer menos livre, se levarmos em consideração que logo de cara não dá pra sair matando meio mundo na rua. Mas conforme se vai jogando, nota-se peculiaridades que, quando somadas, tornam a experiência de jogo única.

O sistema de “cover” (esconder-se atrás de paredes, caixotes, etc), presente em quase todos os jogos de ação/tiro dessa geração, é elemento obrigatório durante os tiroteios do jogo. Além disso, o game traz o sistema de red-eye-targeting (presente no seu antecessor Red Dead Revolver e no FPS western Call of Juarez) onde o jogador consegue deixar o mundo em câmera lenta por alguns segundos para mirar em diversos inimigos de uma vez e em seguida fulminá-los em questão de segundos.

O mapa de Red Dead Redemption é relativamente grande. Desta forma, para chegar em destinos mais ermos, o jogador pode contar com um cavalo (que pode ser mágica e convenientemente chamado praticamente de qualquer lugar com um simples toque no botão de assobiar) ou pode contar com cocheiros em determinadas cidades, agilizando bastante a viagem. Particularmente recomendo as viagens a cavalo, principalmente no começo do jogo: durante essas viagens você sempre pode encontrar uma donzela em apuros ou uma gangue de ladrões, situações que depois de algum tempo tornam-se repetitivas, mas ainda assim são divertidas de jogar.

Fora todo o gameplay convencional, Red Dead Redemption conta com minigames bem mais interessantes que GTA IV, dentre os quais podemos destacar o Poker (com direito a trapacear e tudo), arremesso de ferradura e braço de ferro, só pra citar alguns.

Multiplay

Muito se criticou no multiplay de Red Dead Redemption, dizendo principalmente que ele foi sub-aproveitado. Pode até ser verdade, mas ainda assim eu curti muito.

Acho que dá pra resumir o multiplay de RDR em dois tipos: o convencional, onde jogadores encontram-se num lounge para Team Versus ou Deathmatch, e o free-roam, onde você pode revisitar os pontos que no mapa livremente, podendo formar gangues com outros jogadores, invadir esconderijos e enfrentar gangues adversárias.

O modo multiplayer funciona com um esquema de níveis, que você ganha conforme vai completando missões e matando outros jogadores. Aumentando o nível, o jogador ganha a possibilidade de alterar a sua aparência (dentre modelos pré-configurados de personagens que aparecem no jogo) e sua montaria (partindo desde um burrico até a lendária zebra!).

Considerações Finais

Red Dead Redemption é definitivamente um dos melhores jogos que saiu em 2010 e é obrigatório para fãs de GTA e sandboxes em geral. A apresentação do jogo é impecável, bem como sua trilha sonora que se mescla tão naturalmente com o jogo. A trama é envolvente, os personagens são carismáticos, as situações pelas quais o protagonista John Marston passa são interessantíssimas (pra não falar bizarras) e o jogo diverte mesmo quando você não estiver interessado em seguir a trama principal.

E falando em não seguir a trama principal, se você se interessou pelo game, vale a pena conferir também sua expansão Undead Nightmare, que coloca os personagens conhecidos da trama principal em uma história nova e absurda, em um mundo alternativo de zumbis no velho-oeste. Vale MUITO a pena. MESMO!

A versão avaliada de Red Dead Redemption foi a de Playstation 3. O jogo também está disponível para XBOX 360. Imagens retiradas do próprio site do jogo.

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